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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Opinião: Desistir não é opção

Como grande parte de vós tem conhecimento, há 14 meses atrás sofri uma lesão muito grave no joelho e não posso voltar a competir. 

Perder o atletismo foi como perder a minha identidade. Num momento estamos bem, a treinar, temos tempo para trabalhar na nossa carreira desportiva, podemos fazer menos dez flexões ou menos uma recta só por preguiça, e noutro, vemos tudo a fugir-nos pelos dedos sem o conseguirmos agarrar. Nunca pensei que fosse possível sentir tanta dor junta, mas no entanto, senti dor todos os dias e aguentei. Tive momentos desgastantes, em que estava cansada de tudo, de tantos exames e medicamentos, de tantas horas fechada no hospital a fazer fisioterapia. Durante estes 13 meses, perdi-me e encontrei-me, desisti e lutei, chorei e sorri, perdi e ganhei.

Quando julguei que tinha perdido a minha identidade, quando julguei que tinha perdido a única coisa que eu podia dizer que era minha, houve quem não desistisse de mim e continuasse a dar-me força diária, mesmo sem se aperceberem.

Agora, no fim destes 13 meses, no fim de 2 operações e 8 meses de fisioterapia, depois de passar pelo Inferno e voltar eu apercebi-me que não perdi. Eu ganhei! Ganhei coragem de enfrentar qualquer coisa que se ponha no meu caminho, ganhei confiança em mim, ganhei muito amor e carinho, para além de colegas de treino ganhei amigos, para além de treinador ganhei irmão e orientador, para além de um clube ganhei uma família!

Tudo isto porquê... Nestes 13 meses apercebi-me que a única coisa que me arrependo foi não ter dado mais de mim enquanto pude, foi não ter desafiado os meus limites quando me pediram, foi ter QUASE chegado lá. Penso que aquilo que vos quero dizer é que às vezes coisas más acontecem, tal como me aconteceram a mim, e não há nada que possamos fazer para mudar isso. Portanto, mudem enquanto têm tempo, enquanto podem fazer algo por vocês. Lutem pelos vossos sonhos, pelos vossos objectivos Ninguém vai batalhar por vocês, a luta é vossa. Sejam guerreiros e não tenham medo de sonhar, de querer mais. Quando se sentirem cansados, pensem em mim. Pensem que a dada altura da minha vida estava a treinar, estava feliz e tinha uma data de objectivos para cumprir, e que de um momento para o outro tudo se foi. Quando estiverem cansados, pensem em mim e mexam esse rabo ainda mais, trabalhem arduamente, suem que nem uns animais, façam de tudo para no final puderem dizer "dei tudo". Aqui é começar a matar e acabar a morrer. Nunca dêem nada como garantido. 

Apesar de não poder voltar a competir, eu ainda tenho objectivos que quero cumprir. A partir de agora, os vossos objectivos são os meus, as vossas metas são as minhas. Vou fazer o que puder para vos ajudar a atingir tudo aquilo com que sonham e ambicionam. 

Apercebi-me que não perdi a minha identidade, apenas está diferente e eu estou a moldá-la. Nunca de esqueçam: desistir não é opção. Força e bons treinos.

Ana Lima Almeida

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Fora d'horas: O Desporto não é para todos

O Desporto tem as portas abertas a qualquer pessoa, mas nem todos se podem auto-intitular desportistas. O Desporto não é uma brincadeira, é bem mais do que isso. É tirar várias horas por dia para treinar, é abdicar de alguns cafés com os amigos, é ter regras e cumpri-las à risca.

Ser desportista requer vontade, paixão e, acima de tudo, coragem. Ser corajoso para lutar pelo melhor resultado possível, para querer mais e melhor e para se levantar quando a sorte não bate à porta.

Na semana em que se assinala um mês após os ataques bombistas na Maratona de Boston, é preciso relembrar que o Desporto exige respeito por aqueles que o praticam, mas também pelos amantes que assistem na primeira fila às provas das suas modalidades favoritas. O trabalho árduo daqueles que constroem o seu dia em função de treinos e provas é recompensado pela paixão de um adepto que vibra, grita e torce pelo seu desportista.

Basta tirar uma hora por semana para assistir a um jogo da nossa modalidade preferida ou dar uma mensagem de incentivo a um atleta. Um simples “boa sorte” pode dar a coragem necessária a um atleta para erguer o troféu no final. O Desporto não é para todos, mas é de cada um de nós se assim o quisermos.

Fabíola Maciel

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Opinião: Semear e não colher

Disputou-se no passado dia 13 de Janeiro o Campeonato Nacional de Estrada, em Lisboa, onde a equipa do Maratona de Portugal se sagrou mais uma vez Campeã Nacional em masculinos e femininos. Não é porém este mais ou menos esperado desfecho que me leva a escrever este comentário, mas sim um outro facto que me deixa um amargo de boca.

Nesta importante competição estiveram presentes quatro atletas de Viana do Castelo, naturais e residentes de Viana do Castelo, que se classificaram os quatro nos 15 primeiros lugares; (José Rocha,3º, Fernando Silva,9º, Ricardo Dias,10º e Marco Morgado 14º). Todos estes atletas foram formados e especializados em clubes de Viana do Castelo e com esta classificação, se pertencessem todos à mesma equipa garantiriam um lugar no pódio.

Ao longos dos 13 anos que levo como treinador e tendo contribuído para a evolução de alguns destes e de outros atletas, aliada à alegria que os êxitos, (e são muitos) por eles alcançados, sinto uma grande frustração pelo facto de não haver capacidade para manter esses valores no nosso concelho e rentabilizar dessa o forma o trabalho efectuado ao longo dos anos da formação.

Analídia Torre, foi durante este período a única atleta natural de Viana que consegui um lugar de honra Europeu (Vice-campeã) representando a nossa cidade, sendo mesmo assim logo em seguida obrigada a sair para um clube de Lisboa onde lhe garantiam melhores condições e apoio para puder evoluir.

A partir de então foi, Fernando Silva, José Rocha, Marco, Morgado, Hélio Gomes. Ricardo Dias e ultimamente os jovens, Diogo Lourenço e Diogo Carvalho, todos eles à procura de condições que lhes permitam obter êxito

Vai sendo tempo de Viana do Castelo colher aquilo que ao longo dos anos a própria cidade, os clubes, dirigentes e treinadores tem semeado. Hoje não tenho dúvidas que seria possível construir uma equipa só de atletas de Viana capaz de lutar pelos títulos nacionais de estrada e corta-mato, haja vontade, porque quem consegue formar atletas deste nível, tem também o dever de criar condições para rentabilizar o investimento.

É bom realçar que pese embora o contexto económico actual, não ajude, o investimento nesta modalidade não é tão dispendioso como às vezes se faz crer. Em termos de comparação, o orçamento de um mês de uma equipa de futebol da 3ª divisão garantiria um ano de actividade a uma equipa de atletismo do top nacional.

Faço votos que esta mensagem desperte interesse nas forças vivas da nossa cidade, Câmara Municipal, entidades públicas e privadas, empresas e todos aqueles que queiram dar o seu contributo para o prestígio do desporto da nossa terra, para que juntos possamos, dar continuidade ao trabalho e garantir aos nossos jovens a possibilidade de representarem ao mais alto nível a sua terra natal.

Amadeu Ferreira Gomes
- treinador de atletismo -

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Opinião: Viana e o desporto

Este foi, sem dúvida, um fim-de-semana do desporto. Realizaram-se várias manifestações por todo o país, foram 19 as cidades que aderiram ao evento de pedalar contra os atropelamentos que ultimamente têm sucedido com ciclistas e cicloturistas. Eu, um dos que luto diariamente contra algumas regras do código de estrada, não poderia faltar e desloquei-me ao Porto precisamente para dar força a esta manifestação na Avenida dos Aliados... A LUTA CONTINUA!

De regresso à nossa cidade e ao evento que se estava a realizar no Pavilhão de Monserrate, organizado e muito bem pelo Desporto Em Viana - o II Troféu DEV - onde assisti ao último jogo, tendo acabado por vencer a equipa de ARDCP Barroselas contra o CRC Neves por 4-1. Assisti, sem dúvida, a um grande confronto entre estas duas equipas, com jogadas fabulosas e movimentações excelentes. Dou uma palavra de apreço a todos os jogadores e não posso deixar de dar uma palavra a duas pessoas que há tantos anos se dedicam ao associativismo e a estas instituições e que têm feito um grande trabalho em prol desta modalidade e do desporto do Alto Minho. Rui Lacerda e Amadeu Silva, obrigado pelo vosso trabalho.

O fim-de-semana continuou e o domingo não podia ter começado melhor que com a excelente Meia Maratona Manuela Machado. Eram tantos os participantes, e tenho de partilhar convosco a vontade que tinha de ali estar a participar, mas para o ano não falho a participar na estrada. Mas assisti a um evento muito bonito e, apesar do mau tempo, os participantes e apoiantes não falharam e eram às centenas. O vianense Miguel Ribeiro conseguiu um grande lugar (5ºposição) e tanto gritei por ele. Melhorou a sua marca pessoal ao terminar nos cinco primeiros e cocretizou os objetivos. Uma palavra a todos que tinham como objetivo terminar os 21 quilómetros. PARABÉNS, participar já é uma vitória. Foi excelente assistir a tal evento, parabéns à organização!

O desporto na nossa cidade ainda não acabaria aqui pois a Câmara Municipal fazia os seus 165 anos de elevação de Viana a cidade. Na sessão comemorativa foram entregues prémios e reconhecidas algumas instituições, juntas de freguesia e alguns particulares. Foram também homenageados e distinguidos os desportistas vianenses Luís leão Pinto e Rui Sousa, tendo recebido os títulos de cidadão de mérito, fruto do trabalho desenvolvido a nível desportivo nestes anos, tentando sempre levar as nossas raízes pelo país fora e além fronteiras.

Obrigada à Câmara Municipal de Viana Do Castelo!

Obrigado ao Desporto Em Viana e ao excelente trabalho que tem desenvolvido!

Rui Sousa
- ciclista -

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dito e Feito: "Troikamos" tudo pelo futebol!

Definitivamente a palavra Troika deverá em breve ser elevada à categoria de verbo, mas apenas conjugado no imperativo, face à atual situação que vive o país. Não quer dizer que não permita outros jogos de palavras e, mais do que isso, que seja sinónimo de um esforço desmedido para atingir um suposto equilíbrio.

Recentemente foi noticiada a extinção de um clube histórico no cenário do basquetebol, o Barreirense. E tudo porquê? Em nome do futebol. O futebol que move multidões, o futebol que move milhões, o futebol que para muitos é um encontro excelente de emoções. É uma rima pobre e simples que exprime, porém, a realidade que nos deparamos e caminhamos. Mais uma vez a razão de existência do Desporto em Viana eleva-se: Não pode ser só futebol!

A situação é difícil, mesmo olhando de prismas diferentes, é certo. Além do Barreirense, já o Futebol Clube do Porto tinha anunciado a desistência da Liga Portuguesa de Basquetebol, e mais, até os resistentes e principais clubes da Liga optaram por desistir das competições europeias, para poupar os seus cofres.

Falamos aqui de um patamar profissional, vamos descer ao amador onde os gastos não são na mesma proporção, no entanto, a entrega e vontade dos atletas é tanta ou maior e as dificuldades são o pão nosso de cada dia. Muitos clubes vivem a contar tostões para poder manter as várias modalidades nas competições a que se propõem. Muitos atletas despendem literalmente tempo e dinheiro em prol do amor a uma camisola que não diz futebol.

Estamos numa fase de "troikar" tudo. Ainda assim, lembremo-nos que não devemos "troikar" o que nos faz bem. DEVemos fazer um esforço por apoiar as várias modalidades e os atletas, sobretudo os amadores. É por estes e por outros anónimos, que lutam contra o clima de fatalidade criado, que um projeto como este dá tanto gozo, afinal com palavras se tenta que contrariar uma tendência que nos vai extinguindo o arco íris do desporto. Portanto, é antigo mas bem dito, a união faz a força e quanto mais todos nos ajudarmos, mais facilmente venceremos com todas as modalidades dignificadas, como assim o merecem.

Futebol, Basquetebol, Andebol, Natação, Hóquei, Ciclismo, Atletismo, Esgrima, Futsal, Râguebi, Voleibol, Canoagem, etc, fazem todos falta senão veremos tudo a uma cor. Aí já não se podia dizer “e que seria do azul se não houvesse cor de rosa?”. E porquê? Porque estaríamos num cenário demasiadamente negro e só com futebol não se fazem milhões felizes.

A felicidade que não pode ser “troikada” por nada!

Marisa Ribeiro

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Opinião: Cãibras

Em geral, é nesta altura que se iniciam as pré-épocas ou estão recentemente iniciadas. E por isso é uma boa altura para o alerta. Para além dos atletas, toda a gente já teve um episódio de cãibra muscular ou popularmente chamado de “breca”. O que é e porque acontece?

Cãibras ou câimbras musculares são desencadeadas por um espasmo muscular repentino caracterizado por uma contração muscular intermitente, intensa, involuntária e muito dolorosa. Quando ocorrem, o músculo fica muito “duro” causando dor intensa e incapacidade funcional imediata. Pensa-se ser devido a uma hiperexcitação do nervo que estimula o músculo e pode ter várias causas.

Normalmente acontecem nos gémeos (músculos da barriga das pernas), nos dedos dos pés e mãos, músculos da coxa e abdominais.

Causas

Essas causas são variadas e podem ser isoladas ou não: Fadiga muscular e orgânica, condições atmosféricas, desidratação, alterações do sistema nervoso, carência de vitaminas e sais, afeções metabólicas, dopagem entre outras.

Quando um jogador de futebol cai ao chão agarrado á perna com uma caibra, é frequente ouvir dizer que “está exausto”. Isto explica-se porque com a atividade física intensa há maior acumulação local de produtos metabólicos, hipoxemia local por diminuição da circulação sanguínea e acidose local/geral assim como acumulo de ácido láctico. A par disso, juntamente com a água perdida com a transpiração excessiva, são libertados eletrólitos (sódio, magnésio e potássio) necessários ao funcionamento dos músculos. A carência destes e vitaminas são frequentemente a principal causa, pois há alteração no mecanismo contrátil dos músculos repercutindo-se na sua contração súbita – a caibra. Todos os músculos são controlados por um determinado nervo que estimula a sua contração, se este nervo for excessivamente estimulado provoca um reflexo anómalo de contração, desencadeando a caibra. A dopagem também é um fator predisponente, dos quais: cafeína, estricnina, anfetaminas e diuréticos.

No momento da caibra deve…

Alongar SUAVEMENTE o músculo (para evitar ruturas musculares), massajar a zona onde ocorreu a caibra pois estimula a corrente sanguínea e colocar uma bolsa de água quente para relaxar.

Caibras noturnas

As caibras são muito comuns durante a noite, especialmente em pessoas mais velhas. Em geral, e não só nas noturnas, podem ser sinais de aterosclerose, com diminuição da circulação sanguínea para o músculo devido às placas de colesterol; podem ter associação com a diabetes ou com medicamentos como diuréticos e reguladores da pressão arterial.

Caibras na Gravidez

Na gestação para além do peso acrescido que esforça mais a parte muscular, também o bebe durante a sua formação óssea tem necessidades acrescidas de cálcio que o vai recrutar á mãe, ficando ela mais propensa a ter caibras. Estas devem ter cuidados acrescidos com a alimentação.

Para evitar as caibras deve…

1. Fazer uma hidratação adequada: não ingerir água de uma só vez mas sim com intervalos ao longo do dia. No caso dos atletas recomenda-se que o façam antes, durante e depois dos treinos/competições. As bebidas energéticas são aconselhadas para a reposição eletrolítica (têm cerca de 90 mg de sódio em 200 ml), mas, se não for atleta e não faz exercício regularmente não deve ingerir estas bebidas especialmente se tiver problemas de hipertensão.

2. É muito muito importante um bom aquecimento que englobe alongamentos antes e após os treinos/competições.

3. Repouso após a prática de exercício físico intenso. É necessário descansar para recuperação muscular.

4. Evitar praticar exercício em condições extremas de temperatura.

5. Usar equipamento e calçado adequados à prática desportiva.

6. Alimentação cuidada: insistir em banana, sumos naturais de laranja, leite, brócolos, couve, etc que são uma boa fonte de sódio, cálcio e potássio essenciais à saúde muscular.

Tratamento

O tratamento passa por todas estas recomendações. Numa situação aguda, e porque o músculo normalmente fica dorido, massagens suaves e alongamentos devem ser executados acompanhado de repouso.

Nas caibras musculares incoercíveis poderá utilizar-se o estímulo do frio através do uso de massagens com gelo no músculo que por via reflexa as poderá resolver.

Normalmente não é necessária medicação mas quando as caibras musculares são frequentes e não se resolvem com medidas conservadoras nem se encontram fatores potenciadores, pode-se utilizar os relaxantes musculares, o sulfato de quinina e as vitaminas B1 e B12. Claro está que deve consultar um especialista para tal.

E as bananas?

É um alimento muito completo para os desportistas: contêm açucares, carbohidratos, vitaminas e são uma ótima fonte de potássio. Pode ser consumida antes, durante e após o exercício por ser de fácil ingestão e por ser uma boa fonte de energia. Porém nem todas as caibras são causadas pela falta de potássio mas sim de sais e líquidos perdidos pelo suor. Assim as bebidas isotónicas ou água e alimentos com sal são algumas formas de prevenir esse tipo de caibras.

Lígia Rio
- fisioterapeuta - 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Opinião: Nós somos a Escola Desportiva de Viana

Esta simples homenagem às mulheres e homens que criaram e nos legaram a digna e honrosa Escola Desportiva de Viana, não pode e não deve agora, acabar aqui. Alguns membros já partiram, outros afastaram-se do nosso caminho; outros permaneceram juntos até hoje. Todos os sócios e dirigentes têm a responsabilidade de diariamente continuar com empenho e dedicação a honrar as suas memórias e contribuir para que a Escola continue Digna e Respeitada e cada vez mais forte e organizada. No entanto, o modelo que moldou de certa forma a EDV ao longo destes 36 anos, vive nos dias de hoje realidades diferentes, numa clara lógica de mercado. 

Como se depreende, não pode a EDV ignorar o “mercado” de desporto em que está inserida, e o seu sucesso depende da sua capacidade de mudança e do seu posicionamento face ao mercado emergente do serviço desportivo. Há cada vez mais uma procura das práticas desportivas e físicas, higiénicas e de lazer, e a nossa oferta deve acompanhar essa procura, encontrando desta forma uma missão geradora e potenciadora de recursos financeiros que viabilizem a sua organização.

Qualquer clube, tal como o nosso, que persegue essencialmente o papel educativo, desportivo, social e cultural deve equacionar como poderá cumprir a sua missão tendo em conta as fontes de financiamento a que pode recorrer, sem se dispensar de receber apoios oriundos da Administração Pública, quer canalizados pelo Orçamento de Estado, normalmente através das Federações e Associações ou das Autarquias Locais. Nada disto dispensa porém, uma permanente actividade imaginativa na busca de retirar benefícios da actividade que disponibiliza aos seus associados e à comunidade local. Aqui podemos desde logo enunciar fontes como, o patrocínio, o merchandising, a publicidade e o mecenato. 

A nível internacional, o próprio Conselho da Europa resolveu mandar fazer um conjunto de estudos sobre este assunto. As conclusões são da maior importância para os clubes desportivos e para os decisores políticos. Comecemos por estes últimos. Estes estudos vieram demonstrar a existência de efeitos positivos da prática desportiva na saúde e na segurança. Infelizmente, mostraram também que Portugal é o país da Europa com menor taxa de participação nessa prática. Só 27% da nossa população entre os 15 e os 60 anos pratica algum desporto. Resumindo, estes estudos do Conselho da Europa vieram demonstrar que o investimento público no desporto é largamente rentabilizado através da redução das despesas na saúde e na segurança. 

O investimento público aqui mencionado compreende não só o realizado pelos governos de cada país, mas também, talvez até sobretudo, ao que é feito pelas autarquias, pois compreende dois tipos, o investimento em infra-estruturas que permitam a prática desportiva aos cidadãos, nomeadamente a formação desportiva dos jovens e o investimento nas associações e clubes que praticam desporto de competição. 

Frase de William Shakespeare "É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada." 

O apoio das autarquias aos clubes deve ter sempre estes dois objectivos em vista: o efeito bandeira, pois podem transformar esses clubes em bandeiras das respectivas regiões, a volta das quais as populações se mobilizam e se revem e o efeito exemplo, pois a existência de equipas de competição com sucesso desportivo leva sempre ao aumento da pratica desse desporto entre os jovens. 

Na realidade, uma política desportiva autárquica deveria, nos dias de hoje, compreender e fornecer três tipos de apoio, totalmente complementares, o Apoio à actividade de formação dos clubes; o Apoio ao desporto competição e o Apoio ao desenvolvimento das infra-estruturas desportivas próprias. Investir num destes apoios sem a totalidade dos outros, arrisca-se a não dar em nada.

No ponto de vista dos clubes, estes estudos vieram demonstrar que uma estratégia de sucesso para a EDV, precisa, actualmente, de dar resposta aos três aspectos fundamentais. A EDV necessita de continuar a ter uma política de formação que mobilize os jovens da cidade e da região bem como aos respectivos pais, para sustentar o sucesso desportivo das equipas de competição duma forma continuada, precisa de uma política desportiva que aproveite ao máximo os factores competitivos em que o clube seja mais forte, assim como de uma política de infra-estruturas que permita o desenvolvimento tanto da sua formação como da sua competição. 

Fernando Pessoa disse há algum tempo atrás: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” 

A EDV precisa rapidamente de consolidar o seu Projecto Desportivo, investindo toda a sua atenção na concretização daquele aspecto em falta – As Infra-estruturas. 

Precisamos de honrar o nosso Passado, os nossos atletas, treinadores e dirigentes, através de um Museu, eternizando os seus brilhantes feitos e dando face a tantos anónimos ilustres, filhos desta Cidade que tanto deram ao clube. Precisamos de uma sede capaz de responder aos novos desafios, dando mais visibilidade à nova imagem do Clube, mais moderna e funcional. 

Precisamos urgentemente de novos espaços para áreas desportivas fundamentais como a Ginástica, a Esgrima e a Patinagem que se encontram totalmente asfixiadas nos seus locais de prática actual, pondo em causa a sua viabilidade económica assim como a Qualidade da Formação, numa Formação que se quer de Qualidade. 

A natação não pode estar constantemente dependente de pressões externas numa lógica de indecisão anual quanto ao número de espaços disponíveis, com prejuízos insuportáveis no seu processo formativo/desportivo, numa instabilidade estrutural que não é desejável nem recomendada, perante o seu historial de sucesso na cidade e no país. 

Temos de continuar a investir em Protocolos de Cooperação com outras instituições, nomeadamente com as instituições educativas, onde o Basquetebol Feminino é sinónimo de sucesso, numa parceria com o Desporto Escolar, permitindo uma associação da formação de base na Escola, à especialização desportiva no Clube e o Hóquei em Patins, unindo duas instituições desportivas da mesma modalidade, com vertentes mais diversificadas, uma a EDV com cariz mais formativa, a uma outra, a Juventude de Viana, com cariz mais competitiva, completando-se e unindo esforços, reforçam a modalidade e o processo formativo dos atletas, respeitando a história e o espaço de cada clube. 

Se temos os melhores quadros técnicos, contendo treinadores dedicados, qualificados e reconhecidos nacional e internacionalmente, se temos os melhores atletas, de todas as idades e sexos, com diferentes capacidades e resultados, em tão diferentes modalidades, sejam colectivas ou individuais, se temos um corpo dirigente único, responsável e incansável, composto por mulheres e homens unidos num só propósito, então necessitamos de espaços compatíveis à nossa ambição: temos que FORMAR COM QUALIDADE melhorando a QUALIDADE NA FORMAÇÃO. 

Sem esse apoio eficaz, não será possível à EDV, afirmar-se nas competições nacionais, pois continuamos a precisar de ser muito melhores que os outros para obter o mesmo nível de resultados. A existência de novos espaços face à procura constante dos nossos serviços será a garantia de futuro de 
cada uma das diferentes secções. 

Facilmente concluímos que, o estabelecimento de parcerias estratégicas, onde a autarquia se destaca como parceiro fundamental, é hoje um procedimento incontornável e claramente aconselhável a fim de, conjugando os vários interesses, viabilizar financeira e qualitativamente a EDV. 

Dois caminhos óbvios se abrem à EDV. Por um lado, pode manter-se fiel às formas de gestão e fontes de financiamento tradicionais. Consequentemente verá os seus adversários ultrapassá-lo e possivelmente a cidade e a região virar-lhe costas. O outro caminho passa por evoluir para uma crescente profissionalização da sua gestão e criação de espaços próprios para assim atrair novos utilizadores. Só assim será possível à EDV investir em infra-estruturas desportivas (coisa que não fez nos últimos trinta e seis anos) e melhorar as suas prestações formativas/competitivas. No entanto, esta opção vai transformar o clube numa entidade que pouco ou nada vão ter a ver o “romantismo” e bairrismo de outros tempos. Há que fazer escolhas e arriscar! 

Como diz o grande mestre de gestão Michael Porter quando fala da forma como os clubes podem obter vantagens competitivas sobre a concorrência, “no meio é que não se pode estar, no meio não está a virtude, ou se vai num sentido ou no outro. Quem fica a meio caminho e não se decide, acaba por só ter um futuro possível: para baixo.” 

Que o Estado cumpra a sua parte e que o nosso Clube seja competente no aproveitar de oportunidades, num mundo tremendamente concorrencial que emerge diante dos nossos olhos em cada dia. O objectivo é sermos capazes de entender a mudança, melhor, sermos capazes de a antecipar ou, em alternativa, saber gerir o imprevisto. Essencialmente temos de entender que estamos num mundo plano…o mundo global. 

Nós somos um clube para uma Cidade, nós somos Viana, queremos continuar a ser e somos uma Bandeira, nós somos cada vez mais um Exemplo, nós somos a Escola Desportiva de Viana. 

Rui Jorge Martins Silva
- Presidente da Escola Desportiva de Viana - 

Discurso do Presidente da Escola Desportiva de Viana no jantar do 36º aniversário da Associação
Viana do Castelo, 11 de Maio de 2012

Originalmente publicado aqui

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Opinião: Plataformas Vibratórias

Madonna, Sting, Ivete Sangalo e outras celebridades já adquiriram uma plataforma vibratória para modelar o corpo, mas…. Funcionam?

O que é?
São plataformas que provocam vibrações através de movimentos multidireccionais que estimulam os músculos através do reflexo constante de contração e relaxamento. 

Estes dispositivos vieram revolucionar o treino físico para todas as idades, estilos de vida e capacidades físicas. Mas a verdade é que este conceito já é antigo e já era usado na União Soviética para treino dos astronautas que voltavam do espaço com diminuição de massa muscular devido à ausência de gravidade. Com o tempo veio-se a descobrir que estas plataformas, (com uma vibração mais aprimorada), davam resultado!

Como funcionam?
As oscilações variam entre 30 e 50 por minuto. O movimento da placa ronda uma amplitude de 2-4 mm em LOW (baixa) e 4-6 mm em HIGH (Alta) e uma frequência de 30, 35, 40 e 50 Hz (vibrações por segundo)- nas Power PLate®. Permitem aumentar a gravidade padrão no corpo durante o treino através da aceleração da placa e não pelo aumento de peso (massa) no corpo. Ou seja, aumenta o grau de esforço físico sem sobrecarga de peso, minimizando os fatores de alto impacto, esforço e tensão.

Consta-se que o aparelho acelera até nove vezes mais o ganho de tónus muscular do que a musculação tradicional. A musculação tradicional trabalha um músculo ou um pequeno grupo muscular num tempo curto e com recrutamento de 60% das fibras, já as plataformas permitem trabalhar vários músculos com cerca de 20-50 segundos de contração continua e 90% das fibras em resposta ao estímulo

É possível fazer vários tipos de exercícios dependendo dos músculos que pretendemos trabalhar – aganhamentos, flexões, de pé, sentada ou até deitada. A combinação das vibrações com os exercícios potencializa o efeito, produzindo resultados em menos tempo. Pode ser usado, no máximo, três vezes por semana, durante 30 minutos cada sessão (no máximo). Os resultados são visíveis entre o 1º e 3º meses.

Ajuda a reduzir o peso? 
Sim, como provoca uma contração muscular intensa há um gasto calórico maior. É possível perder 250 calorias por 12 minutos, mas, feito numa plataforma bem calibrada e com uma frequência adequada (numa fase de treino mais avançada, mais de duas semanas de treino). No entanto, não deve ser um método exclusivo e por si só não forma um corpo escultural. As plataformas associadas a dietas contribuem para a redução da camada adiposa que se acumula e é difícil de eliminar. 

Benefícios gerais
- estéticos: ajuda a aumentar a circulação e a oxigenação sanguínea, levando a uma diminuição das toxinas no corpo, o que causa uma redução no aparecimento de celulite.
- aumenta a densidade óssea- prevenindo o processo de degeneração óssea - osteoporose
- estimula coordenação e equilíbrio
- estimula a produção da hormona do crescimento (HGH), induz a liberação natural de serotonina, endorfinas (hormonas associadas ao bem-estar físico e mental).
- pode ser usado em idosos e atletas de elite
- melhora e estimula sistema circulatório e linfático
- flexibilidade (ao fazer o movimento de alongamento em cima da plataforma melhora imediatamente à utilização)

Na fisioterapia:
- lesões medulares;
- esclerose múltipla; Parkinson e Alzheimer (intercoordenação neuro-muscular e suavizando os sintomas atrasando a evolução
- lesões ortopédicas – fortalecimento muscular - evita atrofias, melhoria da propriocepção e pode ser usado pré e pós cirurgicamente.

Não são supermáquinas…
Não são indicadas para tudo, a vibração pode ter efeitos negativos se usada de forma incorreta. É contra indicado, para quem usa pacemaker e tem válvulas cardíacas, grávidas, quem sofre de labirintite, alterações na retina, trombose venosa e hipocoagulação, próteses totais do joelho e anca, epilepsia, diabetes, história de ataques cardíacos, intolerância a estímulos vibratórios ou outras contraindicações específicas de cada individuo.

Quanto mais vibração, melhor?
Não! Se os músculos forem excessivamente estimulados o organismo retribui inibindo o estímulo ou mesmo entrar em fadiga. O mesmo acontece quando exageramos nas repetições numa sessão de musculação.

Importante é relembrar que nem todas as plataformas que estão no mercado são adequadas e de boa qualidade, sendo muitas vezes uma ilusão comercial. Se pretende comprar uma informe-se com um profissional qualificado.

Lígia Rio
 - Fisioterapeuta - 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Opinião: Como lidar com a pressão no desporto (parte II)

Os atletas gastam relativamente pouco tempo a treinar sobre pressão. Quando o momento crítico chega, eles tiveram relativamente pouca exposição a pressões envolvidas com a sua prática assim, não é surpreendente que a sua performance possa variar. Em suma, aptidões adquiridas no treino sem pressão não são necessariamente transferidas para situações de “stress” como a competição.

Uma estratégia útil passa por aprender a executar exercícios simulando as exigências da competição, usando a imaginação. Um desenvolvimento recente no que respeita à pesquisa da imaginação é o modelo PETTLEP (Physical, Environment, Task, Timing, Learning, Emotion and Perspective) – ver tabela 1. O PETTLEP tem como objetivo aproximar e replicar as situações do desporto de competição através da imaginação, incluindo sensações físicas e emocionais associadas à performance. Pesquisas demonstraram que a imaginação está associada ao aumento da capacidade de bons desempenhos na pressão da competição.

Modelo PETTLEP
Os atletas devem aprender a imaginar-se a executar o seu desporto com sucesso em situações de pressão mas, não devem subestimar as exigências da sua execução. É importante ter uma boa performance e uma boa condição quanto a emoções positivas mas também é importante não criar um cenário falso que não representa como a tarefa será difícil. Quanto maior e mais eficiente for a capacidade de imaginação do atleta melhor será a probabilidade de um bom desempenho. Quão mais regular for este tipo de treino do imaginário do atleta melhor será a sua reação ao ambiente de pressão existente na competição.

Gerir hábitos mentais

O condicionamento emocional ou a reprogramação de hábitos mentais envolve desafiar os hábitos associados ao pensamento negativo. Os efeitos de emoções desagradáveis são, por vezes, fruto de pensamentos negativos e as pessoas que tem esse hábito deverão começar por tentar quebrar esse “elo”pois é algo que as vai sempre condicionar. A chave é reprogramar a mente para substituir esses hábitos negativos por imagens e pensamentos positivos. Eventualmente, estes novos pensamentos positivos virão a tornar-se habituais e o desempenho mais consistente.

E se até aqui este tipo de planeamento era considerado um método eficiente para mudar o pensamento dos atletas (pessoas) e se, até aqui, isto funciona colocando a barreira da prestação pobre ao lado da solução (ver tabelas seguinte). Ao colocar barreiras e soluções lado a lado, o processo de implementar soluções pode vir a tornar-se automático. Durante as fases de aprendizagem, as pessoas repetem o “e se…” plano diariamente até se tornar natural. Este “e se…” plano pode reestruturar pensamentos negativos e torná-los em positivos ao preparar frases pré-estruturadas para o efeito.



Com a prática, podem tornar-se mais capazes de controlar as próprias emoções e usar estratégias psicológicas para tratar de situações de performances. Também é importante saber o que cada emoção do atleta significa e qual a resposta mais apropriada para lidar com isso.

Praticar habilidades desportivas usando a competição imaginária e estratégias “E se”, combinadas com o programa PETTLEP pode ajudar bastante a lidar com as emoções no desporto. Com a prática, podem aprender a gerir as emoções negativas até se tornar um hábito.

Isto são estratégias que uso com os meus atletas e dão resultados muito positivos. Mas atenção, é preciso um bom conhecimento da personalidade dos nossos atletas para avançar com algumas destas estratégias e, ao realizarmos este tipo de exercícios no treino não só ficamos a conhecê-los melhor como vamos conseguir mais auto-confiança nas competições. Agora é só pegar neste material e adaptar ao nosso desporto, ao nosso treino e aos nossos atletas.

Joel Maltez
(Adaptado de Peak Performance)

recorde a primeira parte deste artigo aqui

quinta-feira, 15 de março de 2012

Opinião: 114 Anos? Rejuvenesce Vianense, rejuvenesce!

Assinalou-se, terça feira, 13 de março, o 114º aniversário da criação do Sport Clube Vianense. Contudo, uma tão nobre e bela idade, do clube mais representativo de Viana do Castelo, mereceria uma maior envolvência por parte deste e da própria cidade (edilidade e população). Porém, tal não aconteceu e para quem se passeou pelas ruas de Viana, ou mesmo pelas redondezas do Drº José de Matos, esta terça feira terá sido igual a tantas outras. 

Perante isto questiono: porquê tanta insignificância para aquele que é o clube de todos os Vianenses? E o que se fazer para que o Sport Clube local volte a ter as gentes da sua terra consigo? Recuando às origens do SC Vianense, vemos que esta agremiação se iniciou sem futebol e agregou modalidades como a esgrima, a ginástica, o tiro, a náutica, o pedestrianismo. Mais tarde viria o ciclismo, o voleibol, o bilhar, o hóquei em patins, o atletismo, o judo e muitas outras então em voga… Todas estas modalidades atingiram alguma notoriedade, levando o clube a ser considerada uma das melhores associações desportivas do país.

O futebol surge no Vianense em 1923, após a criação da Associação de Futebol de Viana do Castelo. Antes disso, o futebol na cidade de Viana estava entregue ao Aviz Atlético Clube e ao Viana Taurino Clube. Verdade seja dita, mas a modalidade do futebol nunca se impusera, em quase 90 anos, no panorama futebolístico nacional.

A formação deu alguns bons jogadores, mas em 114 anos (89 de futebol) apenas deu um título nacional: o da 3ª Divisão Nacional conquistado em 1999. Muito pouco para tantos anos de história!

Muitas são as crianças e os adolescentes que passam pelas formações do Vianense, mas poucas são aquelas que se aproveitam, muitas foram as famílias que nasceram e passaram pelo Drº José de Matos, porém poucas são aquelas que atualmente resistem e cada vez menos são aquelas que o acolhem. Os resultados futebolísticos são desinteressantes, o futebol é amador, o bairrismo vivido noutros tempos já praticamente não existe e as modalidades, que despertavam paixões e faziam deste clube um exemplo de ecletismo, morreram e são agora as modalidades mor de outras associações do município.

O futebol de fraca qualidade e amador praticado não é o suficiente para voltar a captar as atenções e (re)despertar o amor Vianês pelo Sport Clube Vianense, mas o regresso às origens, o voltar-se a apostar no ecletismo de modo a se importar a marca, o símbolo desportivo, desta bela cidade, a todos os cantos de Portugal, do Alto-Minho e aos lares de Viana, passa por esta estrada. Conhecido o caminho há que percorrê-lo.

Se o Vianense não quer passar mais aniversários no esquecimento terá que ir ao encontro de outras associações e (re)agregá-las de novo no clube. O judo, as danças de salão e o bilhar, modalidades que ainda existem na coletividade a par do Futebol, não têm a visibilidade que uma equipa de voleibol, basquetebol, remo, ciclismo ou atletismo teriam, indo captar gente às ruas, aos pavilhões de Portugal. Foram o ciclismo, com duelos frenéticos entre Alfredo Trindade e José Maria Nicolau, e o atletismo que durante os anos 30 do século XX começaram a despertar o interesse dos Portugueses, entre o Sporting Clube de Portugal e o Sport Lisboa e Benfica, com as modalidades a irem ao encontro das populações. Com a ajuda dos resultados do futebol transformaram esses clubes naquilo que são actualmente!

Trata-se apenas de uma opinião, mas o ecletismo é a solução, apostar-se forte neste sentido ajudaria a cidade a sair de apatia desportiva que se sente em toda ela. A envolvência humana e empresarial sobre o clube cresceria drasticamente, partindo do pressuposto que cada modalidade teria o(s) seu(s) patrocínio(s) autónomos e o Sport Clube Vianense ganharia bastante com isso aumentando as suas contas, aumentando o número de praticantes no clube e expandindo o ideal e “mística” Vianense por esta cidade, por esta região e por esse país fora.

Resta-me terminar, desejando, com ligeiro atraso, os parabéns ao Sport Clube Vianense pela belíssima e critica idade completada, desejando umas rápidas melhoras, pois os indícios de velhice nesta agremiação são por demais evidentes e Viana e os Vianenses precisam deste clube com saúde e com demonstrações claras de juventude!

Miguel Ribeiro
(Atleta do Clube Atletismo Olímpico Vianense)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Opinião: Pubalgia

Também chamada de osteíte púbica ou doença pubiana, a pubalgia significa “dor no púbis”. Condição dolorosa da sínfise púbica ou na origem da musculatura adutora e/ou abdominal que piora progressivamente com o esforço físico e melhora com o repouso e fisioterapia.

Cada vez mais comum no meio desportivo, principalmente em jogadores de futebol. A prevalência é maior em homens do que nas mulheres, não só porque existem mais homens a jogar futebol mas também pelas diferenças anatómica e biomecânicas (a bacia da mulher adapta-se melhor aos impactos dos desportos).

Mecanismos de lesão/Causa

É consequência de movimentos corporais compensatórios causados por gestos repetidos durante a actividade física. Os atletas são, muitas vezes, submetidos a grandes períodos de treino sem repouso e sem programas adequados de alongamento, o que predispõem ao seu aparecimento.

A esta patologia também se aponta o encurtamento da parte posterior da coxa (isquiotibiais), excesso de abdominais e falta de flexibilidade ou sobrecarga dos adutores como causa de desequilíbrios musculares da cintura pélvica que levam à Pubalgia. No entanto, também traumatismos directos, desequilíbrios musculares, dismetrias dos membros inferiores; recinto e equipamento desportivos inadequados, etc., podem ser factores predisponentes.



Sintomas

Manifesta-se por dor na sínfise púbica geralmente associada ao exercício podendo irradiar para a virilha e parte interna da coxa. Comum dor na inserção dos abdominais (dor ao tossir). Por vezes pode causar dores na lombar. Os sintomas são limitantes e os exercícios de alongamento na fase aguda exarcebam a dor. Dor à palpação na zona da sínfise e nos músculos mencionados. Dor à abdução passiva e adução resistida. Por vezes pode causar dor ao andar (adutores são músculos importantes na marcha).

Diagnóstico

Ao contrário do que é referido na literatura, eu não acho ser uma patologia de diagnóstico difícil, uma associação lógica dos sinais e sintomas levam o profissional a concluir. Para além desse exame clínico, sinais radiológicos podem ser também detectados. O RX pode mostrar lesão do osso púbis, calcificação dos tendões acometidos, osteoartrite ou instabilidade pélvica. Já a TAC e a RMN podem evidenciar outras causas de dor na virilha como a hérnia inguinal ou outras lesões musculares e tendinosas. Obviamente é necessário fazer um diagnóstico diferencial para despistar outras possíveis ocorrências das quais: hérnia inguinal e femural, prostatite, uretrites, alterações fisiológicas da articulação, infecções, etc..

Tratamento

Confirmado o diagnostico, cabe ao fisiatra e fisioterapeuta fazer avaliação do atleta para detectar quais os desequilíbrios de cada caso para corrigir e elaborar um tratamento adequado. O tratamento é variado e por vezes demorado porque quando o doente chega para tratamento já tem a pubalgia numa fase muito avançada. Tratar localmente a púbis não resolve o problema, é necessário actuar mais além e eliminar a causa. É logo necessário repouso, cessação dos treinos e uso de medicamentos que ajudem a atenuar a sintomatologia.

A primeira fase da reabilitação – fase aguda, serve maioritariamente para diminuir a sintomatologia álgica e inflamação; numa segunda fase de reabilitação inicia-se o treino aeróbio, fortalecimento dos grupos musculares e alongamentos e numa terceira fase – de retorno à actividade desportiva onde se trabalha a propriocepção especifica, fortalecimentos e treino do gesto desportivo. Alguns métodos como RPG (Reeducação Postural) e hidroterapia podem ser realizados ao longo do tratamento.

O alongamento inicialmente deve ser indolor evoluindo sempre ate se conseguir manter uma postura prolongada de forma a recuperar a qualidade de alongamento dos músculos encurtados e reforças os tendões e pontos de inserção. É necessário relaxar os isquitibiais (músculos posteriores da coxa) e a lordose lombar antes de trabalhar o psoas, adutores e abdominais.

O tratamento engloba muitos agentes físicos e técnicas manuais próprios da fisioterapia. Aqui não dá para exprimir de forma clara um protocolo de tratamento nem posturas de cadeias musculares muito utilizadas. Aconselho os atletas que suspeitam ter uma pubalgia a procurar o quanto antes um profissional de saúde. Quanto mais demorado for o inicio do tratamento maior será o tempo de recuperação.

Sendo uma patologia tão incapacitante, devemos sempre preveni-la englobando os atletas num programa de alongamentos específicos da musculatura da região pélvica, principalmente dos adutores da coxa, isquiotibiais e flexores da anca, não esquecendo da correcta realização dos exercícios abdominais, assim mantem-se um equilíbrio dinâmico entre as estruturas.

Lígia Rio
- fisioterapeuta - 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Opinião: Como lidar com a pressão no desporto

Oscar Wilde disse uma vez que "a coerência é o último refúgio dos sem imaginação"! No entanto, é um facto irrefutável que a consistência no desporto é essencial para o sucesso a longo prazo. Andy Lane explica como se pode aumentar a consistência para melhorar o desempenho no desporto.

Imagine a cena: é a final do Mundial e a Inglaterra vai ganhar se Steven Gerrard pontuar na marcação dos penáltis.

Se Gerrard for consistente, a forma do passado indica que é altamente provável que ele vai marcar. No entanto, se ele falha, ele resiste à tendência. A seleção de futebol inglesa perdeu os três últimos jogos por penáltis, nas grandes competições. Alvoroço público seguido de saída do Campeonato do Mundo de 2006 nos penáltis, após derrota com Portugal, e surgem perguntas como: “Por que não conseguem os jogadores ingleses marcar grandes penalidades em grandes competições?” e “Será que os jogadores ingleses têm “estofo” para marcar em grandes competições?”.

Um fator de sucesso para jogadores profissionais é o de manter a consistência. As grandes penalidades são perdidas quando o desempenho cai, e a cada queda mergulham para níveis catastróficos.

Perceber porque varia o desempenho desportivo é um motivo comum para os atletas que procuram o apoio de um psicólogo do desporto (algo que poucos procuram em Portugal). Se começarmos por perguntar: "Até que ponto o seu desempenho no treino varia?" Os atletas tendem a dizer: "Não muito" e se o desempenho melhora ou piora, muitas vezes eles fornecem uma boa razão para isso.

Por exemplo, se um atleta faz supino em cinco séries de 10 repetições de 70 kg, e realiza esta sessão três vezes por semana, é possível que ele possa repetir esse desempenho. Ele pode executar pior se tiver treinado duro já naquele dia, ou é forçado devido a pressões do trabalho, mas, em geral, os atletas com confiança produzem esse desempenho repetidamente com capacidades sub máximas, e isso relaciona-se fortemente com o desempenho real. O ponto-chave é que os atletas estão muito confiantes sobre serem capazes de fornecer um desempenho sub máximo. No entanto, este nível de alterações de consistência muda quando os atletas querem produzir o máximo desempenho em momentos chave.

Ou seja, a emoção pode usurpar o desempenho de rotinas até mesmo aos atletas mais capazes.

Os efeitos da emoção sobre o desempenho são mais evidentes quando as pessoas são convidadas a realizar uma perícia de rotina sob pressão, tais como andar uma escada de corda de 20 metros acima do solo. É a mesma habilidade como andar no chão, mas uma vez que a pessoa fica nervosa e começa a pensar sobre o desempenho, eles inibem o mesmo. Estendendo esta lógica para o desporto, não é surpreendente que as emoções intensas representem a explicação mais plausível sobre o porquê de jogadores de futebol falhem grandes penalidades na competição, mas raramente falta a prática (na medida em que muitos argumentam que a prática de grandes penalidades não seja uma estratégia produtiva), é tudo uma questão psicológica e de postura perante ambientes “agressivos” e não de falta de treino.

Os atletas passam relativamente pouco tempo a praticar sob pressão. Quando o momento crítico chega, eles estiveram pouco expostos a pressões envolvidas, assim talvez não seja tão surpreendente que o desempenho possa variar. Em suma, as habilidades aprendidas em situações sem pressão não serão necessariamente a transferência para situações de pressão.

No próximo artigo irei abordar técnicas para, em ambiente de treino, abordarmos uma preparação para situações de grande stress competitivo, vamos tentar fazer com que os nossos atletas falhem menos em grandes competições.

Joel Maltez

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Opinião: Lesões na natação

Dizem as estatísticas que a natação é a segunda modalidade desportiva mais praticada. E por ter grande história e um grande volume de praticantes na EDV, merece lugar de destaque. 

As lesões mais frequentes na natação são as resultantes da sobrecarga morfofuncional e as relacionadas com a permanência no meio aquático. Sintetizo no quadro abaixo as situações mais comuns e abordarei apenas as musculo-esqueléticas mais frequentes. 


As lesões mais frequentes em proporção são: 

E por categoria: 

Trata-se de uma modalidade desportiva que quando bem orientada surte efeitos bastante benéficos a vários níveis, quer físicos quer psicológicos. No entanto, numa vertente competitiva pode repercutir-se negativamente, principalmente nas faixas etárias mais baixas. A Medicina Desportiva deve abranger preventivamente os diferentes escalões mas em especial aos mais jovens. A actuação nos treinos requer mais atenção por serem registados quase a totalidade dos casos clínicos, ao contrário de outras modalidades onde a prevalência de lesões se relaciona com a competição. 

A lesão mais frequente é “ombro do nadador” (swimming shoulder) que define uma patologia dolorosa prevalente em nadadores de competição. Reflecte uma acção microtraumática repetida, ou seja, repetição contínua de um gesto (normalmente exagerada rotação interna, ou seja, palma da mão virada para fora), associada à força, a má postura e a ausência de repouso. Além desta, também tendinites dos músculos do complexo do ombro (da coifa dos rotadores), “impingemente” ou conflito do espaço sub-acromial ou compressão de estruturas aquando do gesto, são também frequentes. A acção repetida leva a um processo inflamatório inicial, causando dor, evoluindo para tendinite podendo estender-se à bolsa sub-acromial ou ate a micro-roturas/roturas do tendão da coifa com consequentes processos degenerativos. 

Como prevenir? Técnica de nado correcta; recuperação alta na fase aérea da braçada em crol, respiração bilateral e evitar a entrada na água da mão em rotação interna excessiva; evitar “paddles” ou palmares; regular volume de treino com a idade do nadador, programas de fortalecimento muscular fora de água, etc. No entanto, se surgirem sintomas: reduzir a distância de nado, repouso, evitar técnicas que exacerbam a dor, aplicar gelo após as sessões de treino, manter a condição física com outro tipo de exercícios e mais trabalho dos membros inferiores em detrimento dos superiores. 

O joelho é também bastante afectado e mais associado à fase final da pernada em bruços: “joelho do nadador” relacionado com o envolvimento do ligamento lateral interno e articulação femuro-tibial. Para prevenir deve-se evitar esta técnica ou altera-la de forma a diminuir a sobrecarga ligamentar. 

A coluna vertebral é outro segmento bastante lesado. Contribui para isso a má execução da técnica e excesso de carga de treino. Como prevenção, a respiração bilateral na técnica de crol pode apresentar vantagens assim como o repouso. 

Conclusão: 1. Deve-se fazer sempre uma avaliação cuidada de cada atleta para averiguar factores de risco; 2. Aponta-se a má execução da técnica como a maior causa das patologias na natação e 3. O ombro é o segmento mais lesado na natação.

Lígia Rio
- fisioterapeuta - 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Olho clínico: “Onde todos ajudam, nada custa”

No decorrer de uma qualquer semana de trabalho, na habitual rotina de acompanhamento das diversas modalidades e clubes do concelho de Viana do Castelo, o DEV depara-se, uma e outra vez, com a dificuldade em confirmar determinada informação, resultado ou incongruência. Não porque tenha ignorado ou descurado na procura e recolha dos elementos noticiosos mas, essencialmente, porque, não raras vezes, os organismos oficiais e por isso mesmo primeiros responsáveis se “esquecem” de fazer a sua parte.

Serve esta pequena introdução para dar voz ao caso específico da Associação de Futebol de Viana do Castelo (AFVC). Num final de semana onde realizar-se-ão, entre outros, os encontros da quinta e última jornada da primeira fase da Taça AFVC de futsal, seniores masculinos, fomos confrontados com a inexistência, ou escassa divulgação, de informação (calendários, regulamento, etc.) relativamente ao modelo de passagem à etapa final da prova.

Após ter cometido uma incorrecção, o que assumo sem rodeio, referindo que a mesma competição discutir-se-ia entre quatro equipas (meias-finais), depois de ter questionado inclusive árbitros, incapazes de me darem uma resposta conclusiva, pude apurar que, contrariamente a seniores femininos e juniores, a fase final da Taça AFVC, seniores masculinos, disputar-se-á a partir dos quartos-de-final, ou seja, ficam apuradas quatro equipas de cada série de apuramento, A e B.

Não pretendo com isto justificar-me, ou, como se costuma dizer, “sacudir a água do capote”. Faço deste lamento, uma boa oportunidade para destacar a necessidade de nos ajudarmos uns aos outros, de forma a servirmos e divulgarmos o desporto vianense o mais e melhor possível. O caso do futsal e da AFVC serve apenas e só para exemplificar uma das mais débeis questões pela qual todos nós, fontes e mensageiros, devemos trabalhar em cooperação. Não exijo nem quero que me entreguem o trabalho de mão beijada, mas, parece-me certo, o bom trabalho de uns, ajuda e muito o igual empenho de outros.

Pedro Borlido

Opinião: Futuro do Voleibol

Apresento-vos os números de equipas de voleibol em Portugal (masculino e feminino) em 2011/2012. Estes dados não incluem as equipas dos Açores e Madeira. Estive a ler as Circulares n.º 2, n.º 3 e n.º 4 de 2011/2012 da Federação Portuguesa de Voleibol (origem dos dados).

Voleibol Masculino

 

Conforme podem verificar no gráfico (N.º de equipas Masculino – não inclui equipas dos Açores e Madeira nos escalões de formação, II e III Divisão), a pirâmide parece estar invertida neste momento. O “novo” escalão de Cadetes é aquele que menos equipas tem na atualidade (11 equipas). Para além do mais parece ser um escalão que vai implicar um esforço financeiro extra aos clubes. Concordo com a sua existência, porém com a conjectura nacional de crise sócio-económica (Redução do Subsídio de Natal e Subsídio de Férias, Redução de quase 19% no Desporto – OE 2012), iremos verificar se esta foi uma das melhores decisões para um melhor Voleibol em Portugal.

Na minha opinião, antes da existência deste escalão (cadetes), o escalão antigo de Juvenis era o da “Seleção Natural” e muitos jogadores/as deixavam de praticar voleibol, neste escalão/idade. O fato de transitarem para o Ensino Secundário, mudar de escola, mudar de amigos e entre outros motivos levavam aos jovens a abandonar a modalidade bastante cedo. Neste momento é possível construir uma equipa de base (“minis”) e leva-la até Júnior mantendo os jogadores/as sempre juntos.

Voleibol Feminino

 

No que se refere ao feminino (N.º de equipas Feminino – não inclui equipas dos Açores e Madeira nos escalões de formação, II e III Divisão) o crescimento parece ser favorável. Apesar da Seleção Nacional Feminina não ter o impacto que a Seleção Nacional Masculina tem a nível internacional, a nível do voleibol nacional o voleibol feminino é o mais praticado nos pavilhões. Existem 173 equipas de formação e 34 equipas Seniores Femininos.

Todavia, insisto que deve haver formação dos treinadores de voleibol e que haja um estudo acerca da taxa de abandono no feminino (parece-me que é elevada).

Diferenças entre o Voleibol Masculino e o Voleibol Feminino (equipas de formação)

É abismal a diferença entre o Voleibol Masculino (72 equipas de formação) e o Voleibol Feminino (173 equipas de formação): + 101 equipas no feminino do que no masculino (+56%). Sabendo que a partir do escalão de cadetes a inscrição é paga pelo clube/pais dos jogadores/as no feminino são 98 clubes e no masculino são 45 clubes que pagam inscrições e seguros. Praticamente o dobro!

Penso que só apenas no ano 2011/2012 é que o número de equipas Seniores (masculino e feminino) é igual (34). Até agora o número de equipas do escalão de Seniores Masculinos tem vindo a diminuir ano após ano.

Futuro do Voleibol em Portugal

No que se refere apenas a estes dados, tudo indica que o voleibol feminino irá crescer nos próximos anos. Porém, penso que existe uma maior taxa de abandono no voleibol feminino do que no voleibol masculino por vários motivos: estudos (Universidade), família, constituição de família, emprego. No voleibol masculino penso que o tempo de prática tende a ser mais duradouro por motivos como: “prática regular de exercício físico”, “pertença a um grupo”, “convívio com os amigos”. Esta é apenas a minha opinião. Não são dados científicos.

Escalões do Voleibol em Portugal 2011/2012

Para o leitor pouco habituado aos escalões de voleibol aqui fica uma pequena ideia:
até ao 7.º ano de escolaridade: < 12 anos – Escalão de Minis
8.º ano de escolaridade: 13 anos – Escalão de Infantis
9.º ano de escolaridade: 14 anos – Escalão de Iniciados
10.º ano de escolaridade: 15 anos – Escalão de Cadetes
11.º ano de escolaridade: 16 anos – Escalão de Juvenis
12.º ano de escolaridade e 1.º ano de Universidade: 17/18 anos – Escalão de Juniores
< de 19 anos: Seniores

Texto originalmente publicado AQUI


 Arlindo Miranda (Treinador de Voleibol e Professor de Educação Física)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Opinião: A paixão pelo Basquetebol

Antes de mais não poderia começar sem antes agradecer ao meu amigo Zé pelo convite para escrever este artigo. É com orgulho que o faço e espero poder ser útil sempre que solicitado!

Nesta primeira intervenção decidimos falar um pouco sobre a paixão pelo basquetebol, tentar compreender as motivações e expetativas de quem, semana após semana, trabalha em prol do desenvolvimento da modalidade e como poderemos fazê-la crescer.

Estou ligado ao basket desde que tenho memória, primeiramente através do meu pai que foi jogador e treinador e, posteriormente, dei início à minha carreira de atleta e, até à presente data, de treinador. É curioso ver-se a evolução desta modalidade ao longo dos anos; há quem diga que está melhor; outros afirmam que está pior; eu fico-me pelo meio-termo, ou seja, estamos melhor que há 20 anos atrás, mas poderíamos ter ido ainda mais além, senão vejamos:

A grande maioria dos clubes vive ainda assente na carolice de alguns apaixonados, poucos são os clubes com estruturas profissionais, instalações e meios próprios e se olharmos ao campo financeiro estamos a anos-luz de outros países. No basket não se cria receita própria e todo o dinheiro existente advém de apoios estatais/camarários (cada vez mais escassos), patrocínios e dos próprios atletas que pagam a sua formação. Deste ponto de vista, o que atualmente pedimos aos atletas e pais é que invistam não só o seu tempo bem como o seu dinheiro numa formação onde não há garantias de retorno (na maioria dos casos isso nunca acontecerá), e mesmo os casos de sucesso o retorno é, em Portugal, algo muito distante de outras modalidades. Claro que se olharmos à questão social e mesmo de saúde podemos afirmar que o recebido é muito mais, pois é do conhecimento geral que a participação no desporto desenvolve competências sociais e, claro está, é benéfico para a saúde.

Tirando estas duas premissas com o que é que ficamos? A paixão… e esta sim, move montanhas. Todos sabemos o que é sentir-se apaixonado e os sentimentos que isso desperta. Umas vezes andamos angustiados, nervosos… outras bem-dispostos e alegres… e essa adrenalina faz-nos querer mais e mais. É comum ouvirmos falar de paixão no desporto, que só quem é apaixonado pela modalidade pode atingir o sucesso. Concordo… mas então porque não alastrar essa mesma paixão para outros campos da modalidade. Temos treinadores apaixonados, jogadores apaixonados e até alguns dirigentes… e então os pais, o público, os patrocinadores, os políticos?

Se queremos crescer acredito que este é o caminho! Precisamos de “conquistar” e apaixonar quem ainda não conhece o basket; temos de voltar a transmitir jogos em canal aberto (com acesso a todos); encher pavilhões com jogos emocionantes e derbies que levam o público ao rubro… e só assim teremos a atenção de quem decide e quem pode fazer crescer a modalidade.

Resumindo, é urgente popularizar o basket, fazer aumentar a quantidade de praticantes para, futuramente, podermos exigir maior atenção e então começar a qualificar clubes, treinadores, jogadores, dirigentes, pais e todos os restantes intervenientes. Criar o sentimento de paixão em todos aqueles que não jogam ou nunca jogaram é fulcral para o crescimento… e depois o caminho é mais fácil, ou seja, é só alimentar essa paixão com trabalho, dedicação, sacrifico e muito empenho! Nada que já não estejamos habituados!

João Chaves
Treinador de Basquetebol no GD André Soares (Braga)

Dito e feito: À moda de um bom rebelde…

“Do dito ao feito vai um grande eito”, já diz o ditado popular. Por isso, é bem mais fácil falar daqueles que são os comportamentos desejáveis no seio desportivo, do que controlar os instintos que vêm à flor da pele no decorrer dos jogos.

Neste jogo concreto entram em campo duas equipas em claro confronto: a equipa do politicamente correto e a do praticamente possível. Porém, se queremos que o desporto faça crescer os atletas, também como seres humanos, há que fazê-los disciplinar as palavras e atitudes entre colegas, equipas adversárias, árbitros, adeptos ou simpatizantes das modalidades.

Simultaneamente, os espetadores também devem controlar estes instintos que formulam frases onde sujeito, predicado e complementos são todos palavrões, ou primos chegados.

Tanto com comportamentos violentos como com palavras grosseiras e ofensivas caminha-se numa direção que em nada dignifica o desporto. E mais, não esqueçam que a assistir e a jogar é comum encontrarem-se crianças que ou vão para torcer pelos seus familiares e amigos, ou vão eles mesmo lançar-se na sorte do jogo, crescendo de forma saudável. Se o palavrão e os atos violentos são “aplaudidos” impávida e serenamente, o que podemos pedir amanhã a estes/as miúdos/as de palmo e meio?

O desafio é difícil, mas não é de todo missão impossível porque tanto gestos como palavras não são os ingredientes do sucesso para ganhar jogos, seja em que modalidade for. Certo é também que, felizmente, se vêm bons exemplos e esforços para controlar aquilo que pode ser chamado de “comportamento selvagem”.

Marisa Ribeiro

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Opinião: Alimentação dos Atletas

Numa altura de início de época em que é frequente os atletas regressarem com uns quilinhos a mais das férias, é importante restabelecer a dieta para mais rapidamente fazer sortir efeitos.

A alimentação dos atletas tem vindo a ter um peso preponderante para os agentes desportivos. Um plano de alimentação deve ser tao importante para o atleta como o treino desportivo propriamente dito, quer isto dizer que deve ser cuidado e orientado no sentido de optimizar o sucesso dos atletas. Esta franja da população está sujeita a maiores gastos energéticos e daí as exigências alimentares também serem mais específicas.

Para o atleta, não só o tipo e quantidade de alimentos que ingere deve ser tido em conta, como também o momento em que são ingeridos. Uma incorrecta dieta alimentar pode impedir que o atleta atinja o seu máximo e ate ser um fator implicativo para o estado de saúde. A nutrição não “cria” por si só vencedores, mas pode vir a fazer a diferença em determinados momentos competitivos!

Para um atleta, os Hidratos de Carbono - HC (pão, batata, arroz) têm um papel central no metabolismo energético. Os HC com elevado índice glicémico entram rapidamente no sangue, indicados para a reposição rápida de energia: Bebidas desportivas, pão de trigo, puré de batata, geleia, mel, marmelada... A menor ingestão de HC leva a que as reservas de energia esgotem mais facilmente levando a episódios precoces de fadiga.

As proteínas (carne, peixe, leite, iogurtes, ovos, leguminosas) têm elevada importância na construção da massa muscular, mas ao contrario do que muitos atletas possam pensar não leva por si só a um aumento de massa muscular, o excesso de proteínas no organismo é oxidado e excretado pela urina. Para um atleta recomenda-se 1,2-1,5/kg/dia. A suplementação de proteínas não é recomendada, o excesso pode levar a desidratação, perda urinária de calcio, ganho de peso e stress para os rins e fígado a longo prazo.

As gorduras são o essencial combustivel em actividades de intensidade moderada ao contrátio dos HC que são para actividades de intensidade elevada. O atleta deve ainda ter cuidado com a ingestão excessiva de gorduras antes de um treino ou competição podendo provocar problemas gastrointestinais e privar uma adequada ingestão de HC.

Uma boa ingestão de fibras (cereais integrais, frutas, hortaliças e legumes) favorece o transito intestinal e ajuda a controlar o índce glicémico e inibe absorção de colesterol. Antes das competições devem ser evitados pelo desconforto gastrointestinal que possam causar.

As vitaminas são importantes na capacidade funcional do organismo e ajudam na defesa e proteção do organismo contra o stress causado pelo exercício. As mulheres atletas são maioritariamente carentes em minerais como ferro e cálcio pelo que devem ter especial atenção pois podem provocar elevado risco de osteoporose, anemia e disturbios hormonais e menstruais. Se necessário, recorrer a suplementação destes minerais. A creatina é um dos suplementos mais conhecidos e mais utilizados para atletas.

A hidratação é essencial para a melhoria da performance desportiva e para evitar as lesões musculares. Repor a água que o organismo perde durante a prática desportiva é fundamental para hidratação do corpo.A melhor forma de o fazer é ingerindo água antes, durante e após o exercício e sempre em pequenas quantidades. O ideal é começar a beber água duas horas antes do inicio do exerício e suspender nos ultimos 20-30 minutos. No final deve continuar o processo de hidratação e segundo alguns estudos, o consumo de leite magro pode ser mais eficaz nesse processo do que a água.

Não é preciso grandes revoluções na dieta, exercícios extremos nem suplementos para perder o peso a mais. Uma alimentação saudável (evitar fast food, refrigerantes, bebidas alcoolicas...) em equilibrio com exercício físico regular são a base para se conseguir atingir objectivos.
Lígia Rio