Mostrar mensagens com a etiqueta Fisioterapia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fisioterapia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Opinião: Plataformas Vibratórias

Madonna, Sting, Ivete Sangalo e outras celebridades já adquiriram uma plataforma vibratória para modelar o corpo, mas…. Funcionam?

O que é?
São plataformas que provocam vibrações através de movimentos multidireccionais que estimulam os músculos através do reflexo constante de contração e relaxamento. 

Estes dispositivos vieram revolucionar o treino físico para todas as idades, estilos de vida e capacidades físicas. Mas a verdade é que este conceito já é antigo e já era usado na União Soviética para treino dos astronautas que voltavam do espaço com diminuição de massa muscular devido à ausência de gravidade. Com o tempo veio-se a descobrir que estas plataformas, (com uma vibração mais aprimorada), davam resultado!

Como funcionam?
As oscilações variam entre 30 e 50 por minuto. O movimento da placa ronda uma amplitude de 2-4 mm em LOW (baixa) e 4-6 mm em HIGH (Alta) e uma frequência de 30, 35, 40 e 50 Hz (vibrações por segundo)- nas Power PLate®. Permitem aumentar a gravidade padrão no corpo durante o treino através da aceleração da placa e não pelo aumento de peso (massa) no corpo. Ou seja, aumenta o grau de esforço físico sem sobrecarga de peso, minimizando os fatores de alto impacto, esforço e tensão.

Consta-se que o aparelho acelera até nove vezes mais o ganho de tónus muscular do que a musculação tradicional. A musculação tradicional trabalha um músculo ou um pequeno grupo muscular num tempo curto e com recrutamento de 60% das fibras, já as plataformas permitem trabalhar vários músculos com cerca de 20-50 segundos de contração continua e 90% das fibras em resposta ao estímulo

É possível fazer vários tipos de exercícios dependendo dos músculos que pretendemos trabalhar – aganhamentos, flexões, de pé, sentada ou até deitada. A combinação das vibrações com os exercícios potencializa o efeito, produzindo resultados em menos tempo. Pode ser usado, no máximo, três vezes por semana, durante 30 minutos cada sessão (no máximo). Os resultados são visíveis entre o 1º e 3º meses.

Ajuda a reduzir o peso? 
Sim, como provoca uma contração muscular intensa há um gasto calórico maior. É possível perder 250 calorias por 12 minutos, mas, feito numa plataforma bem calibrada e com uma frequência adequada (numa fase de treino mais avançada, mais de duas semanas de treino). No entanto, não deve ser um método exclusivo e por si só não forma um corpo escultural. As plataformas associadas a dietas contribuem para a redução da camada adiposa que se acumula e é difícil de eliminar. 

Benefícios gerais
- estéticos: ajuda a aumentar a circulação e a oxigenação sanguínea, levando a uma diminuição das toxinas no corpo, o que causa uma redução no aparecimento de celulite.
- aumenta a densidade óssea- prevenindo o processo de degeneração óssea - osteoporose
- estimula coordenação e equilíbrio
- estimula a produção da hormona do crescimento (HGH), induz a liberação natural de serotonina, endorfinas (hormonas associadas ao bem-estar físico e mental).
- pode ser usado em idosos e atletas de elite
- melhora e estimula sistema circulatório e linfático
- flexibilidade (ao fazer o movimento de alongamento em cima da plataforma melhora imediatamente à utilização)

Na fisioterapia:
- lesões medulares;
- esclerose múltipla; Parkinson e Alzheimer (intercoordenação neuro-muscular e suavizando os sintomas atrasando a evolução
- lesões ortopédicas – fortalecimento muscular - evita atrofias, melhoria da propriocepção e pode ser usado pré e pós cirurgicamente.

Não são supermáquinas…
Não são indicadas para tudo, a vibração pode ter efeitos negativos se usada de forma incorreta. É contra indicado, para quem usa pacemaker e tem válvulas cardíacas, grávidas, quem sofre de labirintite, alterações na retina, trombose venosa e hipocoagulação, próteses totais do joelho e anca, epilepsia, diabetes, história de ataques cardíacos, intolerância a estímulos vibratórios ou outras contraindicações específicas de cada individuo.

Quanto mais vibração, melhor?
Não! Se os músculos forem excessivamente estimulados o organismo retribui inibindo o estímulo ou mesmo entrar em fadiga. O mesmo acontece quando exageramos nas repetições numa sessão de musculação.

Importante é relembrar que nem todas as plataformas que estão no mercado são adequadas e de boa qualidade, sendo muitas vezes uma ilusão comercial. Se pretende comprar uma informe-se com um profissional qualificado.

Lígia Rio
 - Fisioterapeuta - 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Opinião: Lesões na natação

Dizem as estatísticas que a natação é a segunda modalidade desportiva mais praticada. E por ter grande história e um grande volume de praticantes na EDV, merece lugar de destaque. 

As lesões mais frequentes na natação são as resultantes da sobrecarga morfofuncional e as relacionadas com a permanência no meio aquático. Sintetizo no quadro abaixo as situações mais comuns e abordarei apenas as musculo-esqueléticas mais frequentes. 


As lesões mais frequentes em proporção são: 

E por categoria: 

Trata-se de uma modalidade desportiva que quando bem orientada surte efeitos bastante benéficos a vários níveis, quer físicos quer psicológicos. No entanto, numa vertente competitiva pode repercutir-se negativamente, principalmente nas faixas etárias mais baixas. A Medicina Desportiva deve abranger preventivamente os diferentes escalões mas em especial aos mais jovens. A actuação nos treinos requer mais atenção por serem registados quase a totalidade dos casos clínicos, ao contrário de outras modalidades onde a prevalência de lesões se relaciona com a competição. 

A lesão mais frequente é “ombro do nadador” (swimming shoulder) que define uma patologia dolorosa prevalente em nadadores de competição. Reflecte uma acção microtraumática repetida, ou seja, repetição contínua de um gesto (normalmente exagerada rotação interna, ou seja, palma da mão virada para fora), associada à força, a má postura e a ausência de repouso. Além desta, também tendinites dos músculos do complexo do ombro (da coifa dos rotadores), “impingemente” ou conflito do espaço sub-acromial ou compressão de estruturas aquando do gesto, são também frequentes. A acção repetida leva a um processo inflamatório inicial, causando dor, evoluindo para tendinite podendo estender-se à bolsa sub-acromial ou ate a micro-roturas/roturas do tendão da coifa com consequentes processos degenerativos. 

Como prevenir? Técnica de nado correcta; recuperação alta na fase aérea da braçada em crol, respiração bilateral e evitar a entrada na água da mão em rotação interna excessiva; evitar “paddles” ou palmares; regular volume de treino com a idade do nadador, programas de fortalecimento muscular fora de água, etc. No entanto, se surgirem sintomas: reduzir a distância de nado, repouso, evitar técnicas que exacerbam a dor, aplicar gelo após as sessões de treino, manter a condição física com outro tipo de exercícios e mais trabalho dos membros inferiores em detrimento dos superiores. 

O joelho é também bastante afectado e mais associado à fase final da pernada em bruços: “joelho do nadador” relacionado com o envolvimento do ligamento lateral interno e articulação femuro-tibial. Para prevenir deve-se evitar esta técnica ou altera-la de forma a diminuir a sobrecarga ligamentar. 

A coluna vertebral é outro segmento bastante lesado. Contribui para isso a má execução da técnica e excesso de carga de treino. Como prevenção, a respiração bilateral na técnica de crol pode apresentar vantagens assim como o repouso. 

Conclusão: 1. Deve-se fazer sempre uma avaliação cuidada de cada atleta para averiguar factores de risco; 2. Aponta-se a má execução da técnica como a maior causa das patologias na natação e 3. O ombro é o segmento mais lesado na natação.

Lígia Rio
- fisioterapeuta - 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Opinião: Alerta bruxismo!

Desta vez venho fazer um alerta a um problema que a cada dia que passa tem vindo a aumentar a sua incidência – O Bruxismo! 

A maior parte das pessoas pensa ser uma brincadeira do dentista ou médico que a diagnostica, e é desde logo importante referir que nada tem a ver com bruxarias nem feitiços. O conceito de bruxismo é complexo, mas resume-se a um hábito parafuncional de ranger os dentes. Provoca maior desgaste nos dentes anteriores. Pode ser diurno ou nocturno, sendo este último mais frequente, ou seja, é muitas vezes um acto inconsciente o que pode levar a diagnósticos tardios e danos irreparáveis. Daí o alerta! 

Existem vários factores que estão na sua origem, destacando-se claramente o Stress que cada vez mais está presente na vida das pessoas. Atinge todas as faixas etárias (+adultos). Atrevo-me a dizer que é um problema que afecta 90% da população em geral. Envolve movimentos rítmicos semelhantes ao da mastigação, com longos períodos de contracção dos músculos mandibulares. Esses movimentos, contracções, podem superar os realizados durante o esforço consciente, sendo a causa da dor muscular e fadiga. 

O bruxismo expressa-se por uma infinidade de sinais, dos quais: 
- Dores de ouvido, zumbidos, vertigens; 
- Dores de cabeça (principalmente na zona frontal – em cima dos olhos) 
- Desgaste dentário (irreversível) 
- Sensibilidade dentária 
- Dores musculares na face 
- Dores de dentes 
-“Desconforto atrás dos olhos” 
- Acordar cansado, …

Articulação Temporomandibular (ATM)
Placa intraoclusal
Desgaste dentário
Atenção: O bruxismo pode ou não estar directamente ligado à dor disfuncional muscular da articulação temporomandibular (ATM). 

Infelizmente não há um método de tratamento definitivo. A conjugação de fisioterapia com reeducação da articulação e métodos de relaxamento juntamente com placas introclusais nocturnas podem ser alguns métodos eficazes. Essas placas reduzem a actividade dos músculos durante a noite e protegem os dentes dos desgastes. 

Em que medida afecta os atletas? 

Tem também grande interferência nos atletas. Estudos recentes demonstram que atletas de alta competição apresentam níveis de bruxismo muito elevados. Pela tensão e ansiedade das próprias competições e pela hipertonicidade muscular. No entanto, outros estudos mostram que atletas que cerram os dentes durante as competições apresentam melhor desempenho, o que mostra a importância destes músculos para a acumulação de força e menor desempenho aquando do uso das placas introclusais. Treinos acompanhados de sessões de relaxamento diminuem essa taxa e consequente eficácia desportiva e menores danos físicos e psicológicos. Haveria muito mais a dizer e a aprofundar sobre este assunto como formas de prevenir, de reeducar e de atenuar! Queria aqui passar o alerta para este problema que muitas vezes é posto de lado por muitos profissionais menos atentos. Já não é a primeira vez que um dente é arrancado por causar dor e após a sua extracção a dor continua. É preciso estar atento, esta dor de dentes teve de certeza origem num ponto de gatilho do músculo masseter (músculo da face).

Lígia Rio
Fisioterapeuta

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Opinião: Incidência de Lesões em atletas de Futsal

O futsal é uma modalidade cada vez mais praticada. Apesar da técnica, táctica e habilidades individuais serem fundamentais, tem-se valorizado o aperfeiçoamento físico do atleta e daí a maior propensão a sofrerem lesão. Cabe à fisioterapia o restabelecimento da lesão, no menor tempo possível, para mais cedo por o atleta a jogar, embora se deva actuar principalmente na prevenção e, desta forma, potencializar as funções atléticas do jogador. 

Apesar de ocasionarem traumas no sistema musculoesquelético, quando são tomadas precauções necessárias, como por exemplo treino adequado, repouso para recuperação, entre outros, essas lesões podem ser minimizadas. O futsal exige dos jogadores força, flexibilidade e capacidade de suportar alta intensidade sem queda de rendimento como aparecimento de fadiga. Em consequência, a harmonia entre força, velocidade, flexibilidade, resistência muscular e geral, a par de uma composição corporal adequada, leva o atleta a um alto e melhor rendimento desportivo, além de prevenir lesões. Estas podem ser devidas a factores intrínsecos e extrínsecos. Os primeiros prendem-se maioritariamente ao desporto em si como mudanças de direcção, saltos… e os extrínsecos como calçado, condições do pavilhão, treinos, motivação, quantidade de jogos, etc… 

Têm maior incidência nos membros inferiores, sem contacto físico e do tipo muscular. Maioritariamente provocadas por métodos inadequados de treino, por alterações estruturais e pela fraqueza muscular, tendinosa e ligamentar. 

Para ser mais fácil visualizar, em forma de gráfico apresentarei os dados referentes a uma equipa de 21 atletas com idades compreendidas entre os 18 e 26 anos, com uma percentagem maior de jovens entre 18-22 anos. É um dos factores que levam à ocorrência de lesões, porque os jogadores mais jovens, menos habilidosos, envolvem-se em contusões, entorses ou distensões ao não posicionarem o corpo correctamente para absorver a força ou executar determinadas tarefas. A maioria das lesões ocorre por colisões durante o jogo ou treino, aquando do pontapé na bola, por excesso de actividade e/ou por lesões recidivantes (repetidas). 

Importante salientar as condições do pavilhão desportivo que pode levar a ocorrência de lesões e muitas vezes graves! 

A alta incidência de lesões nos membros inferiores deve-se por maior dinâmica das movimentações que o jogo exige, em especial nos tornozelos. 



O retorno à actividade deve ser gradual e devem cumprir-se critérios como: amplitudes de movimento normais, força, potência e resistência muscular adequada, capacidade cardiovascular, flexibilidade, coordenação e propriocepção. Também com qualidades físicas adequadas: mobilidade, resistência, força, coordenação e velocidade.

A frequência de lesões em atletas de futsal numa temporada é extremamente alta. O atleta deve estar sempre com as suas qualidades físicas adequadas, para se minimizarem as possibilidades de este sofrer algum trauma, além de possibilitar uma recuperação mais rápida após uma lesão. O trabalho de prevenção é a melhor forma de trabalho do fisioterapeuta e proporcionar a melhora da performance, importantíssima para o atleta.

Lígia Rio
Fisioterapeuta

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Opinião: Prevenção de lesões no Basquetebol

Mais uma vez vou incidir, esta pequena opinião, na prevenção das lesões! Para mim sempre uma pragmática a defender: se não queremos atletas lesionados teremos de apostar mais e melhor na prevenção, o que nem sempre é possível. Mais direccionada para a vertente do basquetebol pretendo alertar os praticantes dos perigos que facilmente se corre predisponentes a lesões. 

No basquetebol são mais frequentes: a entorse da tíbio-társica (tornozelo); entorses dos dedos, entorse do joelho, tendinites (inflamação dos tendões); fracturas dos dedos; distensões musculares; fracturas do nariz; luxações; fracturas de peças dentárias; rupturas musculares e tendinosas. Sem dúvida que as entorses da tíbio-társica e dedos são as mais frequentes. Maior incidência no sexo masculino e nos jogadores de elite. Entre as causas mais frequentes estão o choque entre os jogadores, as quedas, o cansaço e o embate contra objectos fixos. 

O tornozelo é a articulação mais lesionada e é após o salto apoiando-se sobre o bordo externo do pé aquando do contacto com o solo, que se dá a maioria das situações de entorse, entorses em inversão lesionando a parte de fora do pé (parte ligamentar principalmente). Também os dedos estão particularmente expostos aos traumatismos mais pela recepção da bola que leva o dedo (maioritariamente o 3º) a uma hiperextensão ou uma hiperflexão. 

As articulações do joelho são também muito afectadas, não só por mecanismos traumáticos mas também em consequência de esforços repetidos – tendinites do rotuliano, designada por jumper’s knee muito característico dos basquetebolistas. 

O objectivo é prevenir a lesão! Para isso é importante, o exame desportivo (abordado aqui), acompanhamento do atleta ao longo do tempo, assim como controlo de factores, como: a condição física do doente - uma boa condição permite economia de esforço, resistência à fadiga aumentando o rendimento e diminuindo ocorrência de lesão; domínio da técnica – quanto melhor a execução, menores riscos de lesão; preparação psicológica – desde o minibasquete ao sénior, gera ansiedade, que poderá ter implicações no desempenho das tarefas assim como bem-estar psicofísico do atleta, diminui a atenção e debilidade das capacidades, maior fadiga logo propensão a lesão; o calçado deve ser tipo bota pois protege melhor o tornozelo e pé, confortável e com atacadores bem apertados (mais lassos nos 3 primeiros ilhós e progressivamente mais apertados) e a sola não deve ser lisa. Importante usar dois pares de meias para diminuir fricção com a bota e de algodão. 

Um assunto que tem sido alvo de discórdia no meio desportivo é relativo ao uso ou não de ortóteses ou ligaduras funcionais nas articulações mais vulneráveis a lesão, (+ no tornozelo). É facto que o uso destas diminui a ocorrência de lesão, no entanto, diminuir os estímulos activos e o tempo de reacção “do mecanismo activo do tornozelo” perante a lesão. Na minha opinião, os atletas deveriam jogar com as ortóteses – até porque devido à intensidade do jogo há maior ocorrência de entorse em comparação com os treinos. No entanto, como se trata de uma estabilização passiva da articulação, ou seja, não é necessária uma actuação tão eficaz da parte muscular para ela própria estabilizar a articulação, acaba por haver um enfraquecimento destas estruturas. Por isso, aconselho o uso de ortóteses nas competições acompanhado de um treino específico (incluindo treino proprioceptivo – treino muitíssimo importante) da parte muscular que envolve o pé, nos treinos. 


Quando existe predisposição para determinadas lesõe, instabilidades, ou lesões antigas, ou ate mesmo condições do próprio piso de jogo que as facilitem, aconselho sim, à utilização de imobilizações funcionais ou outras protecções como joelheiras, cotoveleiras, protecções bucais, etc. 

Em conclusão: a predominância das lesões no basquetebol é da entorse do tornozelo e dedos. Uma variedade de factores físicos e psicológicos podem predispor o jogador à lesão. Um treino cuidado e específico das articulações assim como o uso de imobilizações preventivas podem ser usadas, mediante os casos, para diminuir a ocorrência das mesmas. 

Lígia Rio
Fisioterapeuta

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Opinião: Importância do exame médico desportivo como prevenção de lesões

Qual a importância deste tão falado exame para um atleta? Será realmente importante?


Parece evidente à primeira vista perceber que se trata de uma avaliação imprescindível do atleta em qualquer meio desportivo. No entanto, os vários agentes ligados ao desporto, tentam menospreza-lo sem consciência dos efeitos negativos que acarretam para o praticante. Assim, pretendo com esta opinião, incentivar a realização deste, principalmente em termos de prevenção de lesões.


É efectuado por um médico que faz a avaliação cuidada do estado físico e psicológico do atleta. Para além da avaliação clínica (cumprindo o preenchimento dos 13 pontos do boletim de exame – imagem) deve fazer-se acompanhar de electrocardiograma e Raio x tórax. O médico, ao assinar o exame, responsabiliza-se pela aptidão do atleta para a prática desportiva para a presente época.


O exame médico tem como objectivos: diagnosticar doenças ou condições que contra-indicam a prática desportiva e diagnosticar anomalias que possam prejudicar o rendimento desportivo ou ate mesmo predispor o atleta a lesão, caso não sejam precocemente detectadas.


Alguns exemplos são: 1- a avaliação do peso, altura e das massas gorda e muscular que permite inferir sobre o índice de massa corporal. O excesso de peso aumenta a probabilidade de lesões osteomusculo-tendinosas por excesso de carga sobre as estruturas e articulações; 2- através da avaliação morfológica do atleta onde se podem detectar: desvios de septo nasal – factor facilitador de aparecimento de lesões devido à não filtragem do ar, dismetrias de membros, alterações estruturais dos pés, joelhos, coluna, etc que podem carecer de correcção; 3- avaliação oftalmológica e auditiva – pela intima ligação com o sistema vestibular/equilíbrio e antecipação de situações que podem evitar contacto e consequente lesão; 4- avaliação estomatológica periódica: a cárie dentária pode predispor o atleta a lesões musculo-tendinosas assim como ausências dentárias ou outros problemas de disfunção temporomandibulares que influenciam a postura por alterações do sistema proprioceptivo; 5- avaliação do sistema cardio-respiratório, talvez o parâmetro com maior importância, deve-se controlar a frequência cardíaca, também a intramuscular, ciclos respiratórios, investigar ruídos respiratórios indicadores ou não de alguma patologia; 6- análise sanguínea – doenças sistémicas a valorizar, colesterol, acido úrico que principalmente predispõem os atletas a bursites e tendinites por deposição dos cristais do mesmo junto dos tendões que consequentemente aumentam a fricção das estruturas; 7- entre muitos outros exemplos.


Para além do que se falou, os desportistas devem fazer o ecocardiograma (ECG) e a prova de esforço. O ECG não é sensível o suficiente para detectar todas as irregularidades que possam existir mas ajuda na detecção de algumas pistas como disritmias, alterações valvulares que podem ter valor clínico para diagnósticos mais avançados. Com apenas o ECG a pessoa pode enganar-se podendo achar que se trata de “coração de atleta” (substancialmente maior que o coração de um individuo “normal”) e não de uma patologia.


Neste âmbito não consigo deixar de lembrar o trágico caso do jogador Miklos Féher, faleceu por miocardiopatia hipertrófica – principal causa de morte em jovens atletas. Não é suficiente saber que o coração funciona, mas sim de que forma ele trabalha!







Com isto, remato dizendo que o maior interessado pelo rigor deste exame médico-desportivo é e deve ser o próprio atleta.


Lígia Rio


Fisioterapeuta

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Opinião F: Porquê Fisioterapia no Desporto?*

Numa altura em que a actividade desportiva, tanto amadora como profissional, enquanto actividade de lazer ou de competição, vai conquistando cada vez mais adeptos por motivos tão diversos como questões de saúde, prazer pela prática desportiva, meio de relaxamento e socialização ou meramente por interesse pessoal, é importante termos consciência que, apesar dos muitos benefícios que traz a quem a pratica, a actividade desportiva traz também associado o risco de lesões. E é deste risco associado à actividade desportiva, que advém a importância da fisioterapia no desporto.

(foto: Fisiogaspar)
A fisioterapia no desporto é uma das áreas de actividade do fisioterapeuta, que inclui na sua intervenção, os primeiros socorros, a prevenção, diagnóstico e tratamento de lesões, tanto em desportistas ocasionais como naqueles em que é exigido um elevado nível de desempenho. A sua importância centra-se sobretudo na introdução de medidas preventivas, desde a utilização de meios externos de protecção (ortóteses e ligaduras funcionais), à implementação de programas de treino proprioceptivo. Tal facto é sustentado pelos vários estudos científicos que comprovam uma diminuição do tempo de paragem dos atletas após lesão, a sua integração progressiva no treino, entres outros factores que demonstram a importância da fisioterapia no desporto, como método de melhorar o rendimento individual e colectivo.

É assim natural, o aumento do número de fisioterapeutas no desporto a que se têm assistido nos últimos anos em Portugal, quer ao nível da sua distribuição geográfica, quer também pelas diversas modalidades desportivas, sendo cada vez mais reconhecido o seu contributo, como intervenção indispensável e específica no meio desportivo.

Contudo é importante questionarmo-nos se haverá ou não simetria no número de fisioterapeutas entre actividades amadoras e profissionais. Mais ainda, sabendo da importância destes profissionais, não seria essencial todas as equipas disporem deste apoio?

*Ft. Sara Farias

Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto