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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Opinião: Cãibras

Em geral, é nesta altura que se iniciam as pré-épocas ou estão recentemente iniciadas. E por isso é uma boa altura para o alerta. Para além dos atletas, toda a gente já teve um episódio de cãibra muscular ou popularmente chamado de “breca”. O que é e porque acontece?

Cãibras ou câimbras musculares são desencadeadas por um espasmo muscular repentino caracterizado por uma contração muscular intermitente, intensa, involuntária e muito dolorosa. Quando ocorrem, o músculo fica muito “duro” causando dor intensa e incapacidade funcional imediata. Pensa-se ser devido a uma hiperexcitação do nervo que estimula o músculo e pode ter várias causas.

Normalmente acontecem nos gémeos (músculos da barriga das pernas), nos dedos dos pés e mãos, músculos da coxa e abdominais.

Causas

Essas causas são variadas e podem ser isoladas ou não: Fadiga muscular e orgânica, condições atmosféricas, desidratação, alterações do sistema nervoso, carência de vitaminas e sais, afeções metabólicas, dopagem entre outras.

Quando um jogador de futebol cai ao chão agarrado á perna com uma caibra, é frequente ouvir dizer que “está exausto”. Isto explica-se porque com a atividade física intensa há maior acumulação local de produtos metabólicos, hipoxemia local por diminuição da circulação sanguínea e acidose local/geral assim como acumulo de ácido láctico. A par disso, juntamente com a água perdida com a transpiração excessiva, são libertados eletrólitos (sódio, magnésio e potássio) necessários ao funcionamento dos músculos. A carência destes e vitaminas são frequentemente a principal causa, pois há alteração no mecanismo contrátil dos músculos repercutindo-se na sua contração súbita – a caibra. Todos os músculos são controlados por um determinado nervo que estimula a sua contração, se este nervo for excessivamente estimulado provoca um reflexo anómalo de contração, desencadeando a caibra. A dopagem também é um fator predisponente, dos quais: cafeína, estricnina, anfetaminas e diuréticos.

No momento da caibra deve…

Alongar SUAVEMENTE o músculo (para evitar ruturas musculares), massajar a zona onde ocorreu a caibra pois estimula a corrente sanguínea e colocar uma bolsa de água quente para relaxar.

Caibras noturnas

As caibras são muito comuns durante a noite, especialmente em pessoas mais velhas. Em geral, e não só nas noturnas, podem ser sinais de aterosclerose, com diminuição da circulação sanguínea para o músculo devido às placas de colesterol; podem ter associação com a diabetes ou com medicamentos como diuréticos e reguladores da pressão arterial.

Caibras na Gravidez

Na gestação para além do peso acrescido que esforça mais a parte muscular, também o bebe durante a sua formação óssea tem necessidades acrescidas de cálcio que o vai recrutar á mãe, ficando ela mais propensa a ter caibras. Estas devem ter cuidados acrescidos com a alimentação.

Para evitar as caibras deve…

1. Fazer uma hidratação adequada: não ingerir água de uma só vez mas sim com intervalos ao longo do dia. No caso dos atletas recomenda-se que o façam antes, durante e depois dos treinos/competições. As bebidas energéticas são aconselhadas para a reposição eletrolítica (têm cerca de 90 mg de sódio em 200 ml), mas, se não for atleta e não faz exercício regularmente não deve ingerir estas bebidas especialmente se tiver problemas de hipertensão.

2. É muito muito importante um bom aquecimento que englobe alongamentos antes e após os treinos/competições.

3. Repouso após a prática de exercício físico intenso. É necessário descansar para recuperação muscular.

4. Evitar praticar exercício em condições extremas de temperatura.

5. Usar equipamento e calçado adequados à prática desportiva.

6. Alimentação cuidada: insistir em banana, sumos naturais de laranja, leite, brócolos, couve, etc que são uma boa fonte de sódio, cálcio e potássio essenciais à saúde muscular.

Tratamento

O tratamento passa por todas estas recomendações. Numa situação aguda, e porque o músculo normalmente fica dorido, massagens suaves e alongamentos devem ser executados acompanhado de repouso.

Nas caibras musculares incoercíveis poderá utilizar-se o estímulo do frio através do uso de massagens com gelo no músculo que por via reflexa as poderá resolver.

Normalmente não é necessária medicação mas quando as caibras musculares são frequentes e não se resolvem com medidas conservadoras nem se encontram fatores potenciadores, pode-se utilizar os relaxantes musculares, o sulfato de quinina e as vitaminas B1 e B12. Claro está que deve consultar um especialista para tal.

E as bananas?

É um alimento muito completo para os desportistas: contêm açucares, carbohidratos, vitaminas e são uma ótima fonte de potássio. Pode ser consumida antes, durante e após o exercício por ser de fácil ingestão e por ser uma boa fonte de energia. Porém nem todas as caibras são causadas pela falta de potássio mas sim de sais e líquidos perdidos pelo suor. Assim as bebidas isotónicas ou água e alimentos com sal são algumas formas de prevenir esse tipo de caibras.

Lígia Rio
- fisioterapeuta - 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Opinião: Plataformas Vibratórias

Madonna, Sting, Ivete Sangalo e outras celebridades já adquiriram uma plataforma vibratória para modelar o corpo, mas…. Funcionam?

O que é?
São plataformas que provocam vibrações através de movimentos multidireccionais que estimulam os músculos através do reflexo constante de contração e relaxamento. 

Estes dispositivos vieram revolucionar o treino físico para todas as idades, estilos de vida e capacidades físicas. Mas a verdade é que este conceito já é antigo e já era usado na União Soviética para treino dos astronautas que voltavam do espaço com diminuição de massa muscular devido à ausência de gravidade. Com o tempo veio-se a descobrir que estas plataformas, (com uma vibração mais aprimorada), davam resultado!

Como funcionam?
As oscilações variam entre 30 e 50 por minuto. O movimento da placa ronda uma amplitude de 2-4 mm em LOW (baixa) e 4-6 mm em HIGH (Alta) e uma frequência de 30, 35, 40 e 50 Hz (vibrações por segundo)- nas Power PLate®. Permitem aumentar a gravidade padrão no corpo durante o treino através da aceleração da placa e não pelo aumento de peso (massa) no corpo. Ou seja, aumenta o grau de esforço físico sem sobrecarga de peso, minimizando os fatores de alto impacto, esforço e tensão.

Consta-se que o aparelho acelera até nove vezes mais o ganho de tónus muscular do que a musculação tradicional. A musculação tradicional trabalha um músculo ou um pequeno grupo muscular num tempo curto e com recrutamento de 60% das fibras, já as plataformas permitem trabalhar vários músculos com cerca de 20-50 segundos de contração continua e 90% das fibras em resposta ao estímulo

É possível fazer vários tipos de exercícios dependendo dos músculos que pretendemos trabalhar – aganhamentos, flexões, de pé, sentada ou até deitada. A combinação das vibrações com os exercícios potencializa o efeito, produzindo resultados em menos tempo. Pode ser usado, no máximo, três vezes por semana, durante 30 minutos cada sessão (no máximo). Os resultados são visíveis entre o 1º e 3º meses.

Ajuda a reduzir o peso? 
Sim, como provoca uma contração muscular intensa há um gasto calórico maior. É possível perder 250 calorias por 12 minutos, mas, feito numa plataforma bem calibrada e com uma frequência adequada (numa fase de treino mais avançada, mais de duas semanas de treino). No entanto, não deve ser um método exclusivo e por si só não forma um corpo escultural. As plataformas associadas a dietas contribuem para a redução da camada adiposa que se acumula e é difícil de eliminar. 

Benefícios gerais
- estéticos: ajuda a aumentar a circulação e a oxigenação sanguínea, levando a uma diminuição das toxinas no corpo, o que causa uma redução no aparecimento de celulite.
- aumenta a densidade óssea- prevenindo o processo de degeneração óssea - osteoporose
- estimula coordenação e equilíbrio
- estimula a produção da hormona do crescimento (HGH), induz a liberação natural de serotonina, endorfinas (hormonas associadas ao bem-estar físico e mental).
- pode ser usado em idosos e atletas de elite
- melhora e estimula sistema circulatório e linfático
- flexibilidade (ao fazer o movimento de alongamento em cima da plataforma melhora imediatamente à utilização)

Na fisioterapia:
- lesões medulares;
- esclerose múltipla; Parkinson e Alzheimer (intercoordenação neuro-muscular e suavizando os sintomas atrasando a evolução
- lesões ortopédicas – fortalecimento muscular - evita atrofias, melhoria da propriocepção e pode ser usado pré e pós cirurgicamente.

Não são supermáquinas…
Não são indicadas para tudo, a vibração pode ter efeitos negativos se usada de forma incorreta. É contra indicado, para quem usa pacemaker e tem válvulas cardíacas, grávidas, quem sofre de labirintite, alterações na retina, trombose venosa e hipocoagulação, próteses totais do joelho e anca, epilepsia, diabetes, história de ataques cardíacos, intolerância a estímulos vibratórios ou outras contraindicações específicas de cada individuo.

Quanto mais vibração, melhor?
Não! Se os músculos forem excessivamente estimulados o organismo retribui inibindo o estímulo ou mesmo entrar em fadiga. O mesmo acontece quando exageramos nas repetições numa sessão de musculação.

Importante é relembrar que nem todas as plataformas que estão no mercado são adequadas e de boa qualidade, sendo muitas vezes uma ilusão comercial. Se pretende comprar uma informe-se com um profissional qualificado.

Lígia Rio
 - Fisioterapeuta - 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Opinião: Pubalgia

Também chamada de osteíte púbica ou doença pubiana, a pubalgia significa “dor no púbis”. Condição dolorosa da sínfise púbica ou na origem da musculatura adutora e/ou abdominal que piora progressivamente com o esforço físico e melhora com o repouso e fisioterapia.

Cada vez mais comum no meio desportivo, principalmente em jogadores de futebol. A prevalência é maior em homens do que nas mulheres, não só porque existem mais homens a jogar futebol mas também pelas diferenças anatómica e biomecânicas (a bacia da mulher adapta-se melhor aos impactos dos desportos).

Mecanismos de lesão/Causa

É consequência de movimentos corporais compensatórios causados por gestos repetidos durante a actividade física. Os atletas são, muitas vezes, submetidos a grandes períodos de treino sem repouso e sem programas adequados de alongamento, o que predispõem ao seu aparecimento.

A esta patologia também se aponta o encurtamento da parte posterior da coxa (isquiotibiais), excesso de abdominais e falta de flexibilidade ou sobrecarga dos adutores como causa de desequilíbrios musculares da cintura pélvica que levam à Pubalgia. No entanto, também traumatismos directos, desequilíbrios musculares, dismetrias dos membros inferiores; recinto e equipamento desportivos inadequados, etc., podem ser factores predisponentes.



Sintomas

Manifesta-se por dor na sínfise púbica geralmente associada ao exercício podendo irradiar para a virilha e parte interna da coxa. Comum dor na inserção dos abdominais (dor ao tossir). Por vezes pode causar dores na lombar. Os sintomas são limitantes e os exercícios de alongamento na fase aguda exarcebam a dor. Dor à palpação na zona da sínfise e nos músculos mencionados. Dor à abdução passiva e adução resistida. Por vezes pode causar dor ao andar (adutores são músculos importantes na marcha).

Diagnóstico

Ao contrário do que é referido na literatura, eu não acho ser uma patologia de diagnóstico difícil, uma associação lógica dos sinais e sintomas levam o profissional a concluir. Para além desse exame clínico, sinais radiológicos podem ser também detectados. O RX pode mostrar lesão do osso púbis, calcificação dos tendões acometidos, osteoartrite ou instabilidade pélvica. Já a TAC e a RMN podem evidenciar outras causas de dor na virilha como a hérnia inguinal ou outras lesões musculares e tendinosas. Obviamente é necessário fazer um diagnóstico diferencial para despistar outras possíveis ocorrências das quais: hérnia inguinal e femural, prostatite, uretrites, alterações fisiológicas da articulação, infecções, etc..

Tratamento

Confirmado o diagnostico, cabe ao fisiatra e fisioterapeuta fazer avaliação do atleta para detectar quais os desequilíbrios de cada caso para corrigir e elaborar um tratamento adequado. O tratamento é variado e por vezes demorado porque quando o doente chega para tratamento já tem a pubalgia numa fase muito avançada. Tratar localmente a púbis não resolve o problema, é necessário actuar mais além e eliminar a causa. É logo necessário repouso, cessação dos treinos e uso de medicamentos que ajudem a atenuar a sintomatologia.

A primeira fase da reabilitação – fase aguda, serve maioritariamente para diminuir a sintomatologia álgica e inflamação; numa segunda fase de reabilitação inicia-se o treino aeróbio, fortalecimento dos grupos musculares e alongamentos e numa terceira fase – de retorno à actividade desportiva onde se trabalha a propriocepção especifica, fortalecimentos e treino do gesto desportivo. Alguns métodos como RPG (Reeducação Postural) e hidroterapia podem ser realizados ao longo do tratamento.

O alongamento inicialmente deve ser indolor evoluindo sempre ate se conseguir manter uma postura prolongada de forma a recuperar a qualidade de alongamento dos músculos encurtados e reforças os tendões e pontos de inserção. É necessário relaxar os isquitibiais (músculos posteriores da coxa) e a lordose lombar antes de trabalhar o psoas, adutores e abdominais.

O tratamento engloba muitos agentes físicos e técnicas manuais próprios da fisioterapia. Aqui não dá para exprimir de forma clara um protocolo de tratamento nem posturas de cadeias musculares muito utilizadas. Aconselho os atletas que suspeitam ter uma pubalgia a procurar o quanto antes um profissional de saúde. Quanto mais demorado for o inicio do tratamento maior será o tempo de recuperação.

Sendo uma patologia tão incapacitante, devemos sempre preveni-la englobando os atletas num programa de alongamentos específicos da musculatura da região pélvica, principalmente dos adutores da coxa, isquiotibiais e flexores da anca, não esquecendo da correcta realização dos exercícios abdominais, assim mantem-se um equilíbrio dinâmico entre as estruturas.

Lígia Rio
- fisioterapeuta - 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Opinião: Lesões na natação

Dizem as estatísticas que a natação é a segunda modalidade desportiva mais praticada. E por ter grande história e um grande volume de praticantes na EDV, merece lugar de destaque. 

As lesões mais frequentes na natação são as resultantes da sobrecarga morfofuncional e as relacionadas com a permanência no meio aquático. Sintetizo no quadro abaixo as situações mais comuns e abordarei apenas as musculo-esqueléticas mais frequentes. 


As lesões mais frequentes em proporção são: 

E por categoria: 

Trata-se de uma modalidade desportiva que quando bem orientada surte efeitos bastante benéficos a vários níveis, quer físicos quer psicológicos. No entanto, numa vertente competitiva pode repercutir-se negativamente, principalmente nas faixas etárias mais baixas. A Medicina Desportiva deve abranger preventivamente os diferentes escalões mas em especial aos mais jovens. A actuação nos treinos requer mais atenção por serem registados quase a totalidade dos casos clínicos, ao contrário de outras modalidades onde a prevalência de lesões se relaciona com a competição. 

A lesão mais frequente é “ombro do nadador” (swimming shoulder) que define uma patologia dolorosa prevalente em nadadores de competição. Reflecte uma acção microtraumática repetida, ou seja, repetição contínua de um gesto (normalmente exagerada rotação interna, ou seja, palma da mão virada para fora), associada à força, a má postura e a ausência de repouso. Além desta, também tendinites dos músculos do complexo do ombro (da coifa dos rotadores), “impingemente” ou conflito do espaço sub-acromial ou compressão de estruturas aquando do gesto, são também frequentes. A acção repetida leva a um processo inflamatório inicial, causando dor, evoluindo para tendinite podendo estender-se à bolsa sub-acromial ou ate a micro-roturas/roturas do tendão da coifa com consequentes processos degenerativos. 

Como prevenir? Técnica de nado correcta; recuperação alta na fase aérea da braçada em crol, respiração bilateral e evitar a entrada na água da mão em rotação interna excessiva; evitar “paddles” ou palmares; regular volume de treino com a idade do nadador, programas de fortalecimento muscular fora de água, etc. No entanto, se surgirem sintomas: reduzir a distância de nado, repouso, evitar técnicas que exacerbam a dor, aplicar gelo após as sessões de treino, manter a condição física com outro tipo de exercícios e mais trabalho dos membros inferiores em detrimento dos superiores. 

O joelho é também bastante afectado e mais associado à fase final da pernada em bruços: “joelho do nadador” relacionado com o envolvimento do ligamento lateral interno e articulação femuro-tibial. Para prevenir deve-se evitar esta técnica ou altera-la de forma a diminuir a sobrecarga ligamentar. 

A coluna vertebral é outro segmento bastante lesado. Contribui para isso a má execução da técnica e excesso de carga de treino. Como prevenção, a respiração bilateral na técnica de crol pode apresentar vantagens assim como o repouso. 

Conclusão: 1. Deve-se fazer sempre uma avaliação cuidada de cada atleta para averiguar factores de risco; 2. Aponta-se a má execução da técnica como a maior causa das patologias na natação e 3. O ombro é o segmento mais lesado na natação.

Lígia Rio
- fisioterapeuta - 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Opinião: Alerta bruxismo!

Desta vez venho fazer um alerta a um problema que a cada dia que passa tem vindo a aumentar a sua incidência – O Bruxismo! 

A maior parte das pessoas pensa ser uma brincadeira do dentista ou médico que a diagnostica, e é desde logo importante referir que nada tem a ver com bruxarias nem feitiços. O conceito de bruxismo é complexo, mas resume-se a um hábito parafuncional de ranger os dentes. Provoca maior desgaste nos dentes anteriores. Pode ser diurno ou nocturno, sendo este último mais frequente, ou seja, é muitas vezes um acto inconsciente o que pode levar a diagnósticos tardios e danos irreparáveis. Daí o alerta! 

Existem vários factores que estão na sua origem, destacando-se claramente o Stress que cada vez mais está presente na vida das pessoas. Atinge todas as faixas etárias (+adultos). Atrevo-me a dizer que é um problema que afecta 90% da população em geral. Envolve movimentos rítmicos semelhantes ao da mastigação, com longos períodos de contracção dos músculos mandibulares. Esses movimentos, contracções, podem superar os realizados durante o esforço consciente, sendo a causa da dor muscular e fadiga. 

O bruxismo expressa-se por uma infinidade de sinais, dos quais: 
- Dores de ouvido, zumbidos, vertigens; 
- Dores de cabeça (principalmente na zona frontal – em cima dos olhos) 
- Desgaste dentário (irreversível) 
- Sensibilidade dentária 
- Dores musculares na face 
- Dores de dentes 
-“Desconforto atrás dos olhos” 
- Acordar cansado, …

Articulação Temporomandibular (ATM)
Placa intraoclusal
Desgaste dentário
Atenção: O bruxismo pode ou não estar directamente ligado à dor disfuncional muscular da articulação temporomandibular (ATM). 

Infelizmente não há um método de tratamento definitivo. A conjugação de fisioterapia com reeducação da articulação e métodos de relaxamento juntamente com placas introclusais nocturnas podem ser alguns métodos eficazes. Essas placas reduzem a actividade dos músculos durante a noite e protegem os dentes dos desgastes. 

Em que medida afecta os atletas? 

Tem também grande interferência nos atletas. Estudos recentes demonstram que atletas de alta competição apresentam níveis de bruxismo muito elevados. Pela tensão e ansiedade das próprias competições e pela hipertonicidade muscular. No entanto, outros estudos mostram que atletas que cerram os dentes durante as competições apresentam melhor desempenho, o que mostra a importância destes músculos para a acumulação de força e menor desempenho aquando do uso das placas introclusais. Treinos acompanhados de sessões de relaxamento diminuem essa taxa e consequente eficácia desportiva e menores danos físicos e psicológicos. Haveria muito mais a dizer e a aprofundar sobre este assunto como formas de prevenir, de reeducar e de atenuar! Queria aqui passar o alerta para este problema que muitas vezes é posto de lado por muitos profissionais menos atentos. Já não é a primeira vez que um dente é arrancado por causar dor e após a sua extracção a dor continua. É preciso estar atento, esta dor de dentes teve de certeza origem num ponto de gatilho do músculo masseter (músculo da face).

Lígia Rio
Fisioterapeuta

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Opinião: Incidência de Lesões em atletas de Futsal

O futsal é uma modalidade cada vez mais praticada. Apesar da técnica, táctica e habilidades individuais serem fundamentais, tem-se valorizado o aperfeiçoamento físico do atleta e daí a maior propensão a sofrerem lesão. Cabe à fisioterapia o restabelecimento da lesão, no menor tempo possível, para mais cedo por o atleta a jogar, embora se deva actuar principalmente na prevenção e, desta forma, potencializar as funções atléticas do jogador. 

Apesar de ocasionarem traumas no sistema musculoesquelético, quando são tomadas precauções necessárias, como por exemplo treino adequado, repouso para recuperação, entre outros, essas lesões podem ser minimizadas. O futsal exige dos jogadores força, flexibilidade e capacidade de suportar alta intensidade sem queda de rendimento como aparecimento de fadiga. Em consequência, a harmonia entre força, velocidade, flexibilidade, resistência muscular e geral, a par de uma composição corporal adequada, leva o atleta a um alto e melhor rendimento desportivo, além de prevenir lesões. Estas podem ser devidas a factores intrínsecos e extrínsecos. Os primeiros prendem-se maioritariamente ao desporto em si como mudanças de direcção, saltos… e os extrínsecos como calçado, condições do pavilhão, treinos, motivação, quantidade de jogos, etc… 

Têm maior incidência nos membros inferiores, sem contacto físico e do tipo muscular. Maioritariamente provocadas por métodos inadequados de treino, por alterações estruturais e pela fraqueza muscular, tendinosa e ligamentar. 

Para ser mais fácil visualizar, em forma de gráfico apresentarei os dados referentes a uma equipa de 21 atletas com idades compreendidas entre os 18 e 26 anos, com uma percentagem maior de jovens entre 18-22 anos. É um dos factores que levam à ocorrência de lesões, porque os jogadores mais jovens, menos habilidosos, envolvem-se em contusões, entorses ou distensões ao não posicionarem o corpo correctamente para absorver a força ou executar determinadas tarefas. A maioria das lesões ocorre por colisões durante o jogo ou treino, aquando do pontapé na bola, por excesso de actividade e/ou por lesões recidivantes (repetidas). 

Importante salientar as condições do pavilhão desportivo que pode levar a ocorrência de lesões e muitas vezes graves! 

A alta incidência de lesões nos membros inferiores deve-se por maior dinâmica das movimentações que o jogo exige, em especial nos tornozelos. 



O retorno à actividade deve ser gradual e devem cumprir-se critérios como: amplitudes de movimento normais, força, potência e resistência muscular adequada, capacidade cardiovascular, flexibilidade, coordenação e propriocepção. Também com qualidades físicas adequadas: mobilidade, resistência, força, coordenação e velocidade.

A frequência de lesões em atletas de futsal numa temporada é extremamente alta. O atleta deve estar sempre com as suas qualidades físicas adequadas, para se minimizarem as possibilidades de este sofrer algum trauma, além de possibilitar uma recuperação mais rápida após uma lesão. O trabalho de prevenção é a melhor forma de trabalho do fisioterapeuta e proporcionar a melhora da performance, importantíssima para o atleta.

Lígia Rio
Fisioterapeuta

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Opinião: Prevenção de lesões no Basquetebol

Mais uma vez vou incidir, esta pequena opinião, na prevenção das lesões! Para mim sempre uma pragmática a defender: se não queremos atletas lesionados teremos de apostar mais e melhor na prevenção, o que nem sempre é possível. Mais direccionada para a vertente do basquetebol pretendo alertar os praticantes dos perigos que facilmente se corre predisponentes a lesões. 

No basquetebol são mais frequentes: a entorse da tíbio-társica (tornozelo); entorses dos dedos, entorse do joelho, tendinites (inflamação dos tendões); fracturas dos dedos; distensões musculares; fracturas do nariz; luxações; fracturas de peças dentárias; rupturas musculares e tendinosas. Sem dúvida que as entorses da tíbio-társica e dedos são as mais frequentes. Maior incidência no sexo masculino e nos jogadores de elite. Entre as causas mais frequentes estão o choque entre os jogadores, as quedas, o cansaço e o embate contra objectos fixos. 

O tornozelo é a articulação mais lesionada e é após o salto apoiando-se sobre o bordo externo do pé aquando do contacto com o solo, que se dá a maioria das situações de entorse, entorses em inversão lesionando a parte de fora do pé (parte ligamentar principalmente). Também os dedos estão particularmente expostos aos traumatismos mais pela recepção da bola que leva o dedo (maioritariamente o 3º) a uma hiperextensão ou uma hiperflexão. 

As articulações do joelho são também muito afectadas, não só por mecanismos traumáticos mas também em consequência de esforços repetidos – tendinites do rotuliano, designada por jumper’s knee muito característico dos basquetebolistas. 

O objectivo é prevenir a lesão! Para isso é importante, o exame desportivo (abordado aqui), acompanhamento do atleta ao longo do tempo, assim como controlo de factores, como: a condição física do doente - uma boa condição permite economia de esforço, resistência à fadiga aumentando o rendimento e diminuindo ocorrência de lesão; domínio da técnica – quanto melhor a execução, menores riscos de lesão; preparação psicológica – desde o minibasquete ao sénior, gera ansiedade, que poderá ter implicações no desempenho das tarefas assim como bem-estar psicofísico do atleta, diminui a atenção e debilidade das capacidades, maior fadiga logo propensão a lesão; o calçado deve ser tipo bota pois protege melhor o tornozelo e pé, confortável e com atacadores bem apertados (mais lassos nos 3 primeiros ilhós e progressivamente mais apertados) e a sola não deve ser lisa. Importante usar dois pares de meias para diminuir fricção com a bota e de algodão. 

Um assunto que tem sido alvo de discórdia no meio desportivo é relativo ao uso ou não de ortóteses ou ligaduras funcionais nas articulações mais vulneráveis a lesão, (+ no tornozelo). É facto que o uso destas diminui a ocorrência de lesão, no entanto, diminuir os estímulos activos e o tempo de reacção “do mecanismo activo do tornozelo” perante a lesão. Na minha opinião, os atletas deveriam jogar com as ortóteses – até porque devido à intensidade do jogo há maior ocorrência de entorse em comparação com os treinos. No entanto, como se trata de uma estabilização passiva da articulação, ou seja, não é necessária uma actuação tão eficaz da parte muscular para ela própria estabilizar a articulação, acaba por haver um enfraquecimento destas estruturas. Por isso, aconselho o uso de ortóteses nas competições acompanhado de um treino específico (incluindo treino proprioceptivo – treino muitíssimo importante) da parte muscular que envolve o pé, nos treinos. 


Quando existe predisposição para determinadas lesõe, instabilidades, ou lesões antigas, ou ate mesmo condições do próprio piso de jogo que as facilitem, aconselho sim, à utilização de imobilizações funcionais ou outras protecções como joelheiras, cotoveleiras, protecções bucais, etc. 

Em conclusão: a predominância das lesões no basquetebol é da entorse do tornozelo e dedos. Uma variedade de factores físicos e psicológicos podem predispor o jogador à lesão. Um treino cuidado e específico das articulações assim como o uso de imobilizações preventivas podem ser usadas, mediante os casos, para diminuir a ocorrência das mesmas. 

Lígia Rio
Fisioterapeuta

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Opinião: Treino Desportivo

Aparentemente parece fácil descrever o treino desportivo como um encontro entre os atletas, algumas vezes por semana. No entanto, o treino desportivo deve ser mais do que isso, um conjunto de técnicas com intuito de obter melhoria da técnica, da táctica e da condição física. Qual a intensidade de treino? A que percentagem da capacidade cardíaca máxima? Será igual para todos? Quantas vezes por semana? Que tipo de exercícios? Estas são algumas questões que podem surgir quando se fala em treino desportivo. Tudo isto é importante. Cada vez mais a deficiente preparação global do jogador, impõe a máxima eficácia dos músculos, máxima tensão tendinosa, falta de desenvolvimento adequado do músculo, estão de entre os factores causadores de lesões pela má condição do atleta e falta de planeamento do seu treino!


O planeamento adequado do treino deverá ser projectado pelo treinador, no entanto, cabe-nos, prevenir e alertar as condições que poderão levar a ocorrência de lesões. As massas musculares e a força deverão ser trabalhadas para fortalecer ligamentos, tendões e músculos, para melhor estabilização das articulações onde actuam. O perigo máximo, em qualquer modalidade, reside nas primeiras 3 a 4 semanas de treino, pois o atleta apresenta flexibilidade diminuída, às vezes um aumento de peso e reflexos diminuídos. Algumas condicionantes devem estar inerente:


1. Aquecimento: favorece a preparação fisiológica e psicológica do atleta; diminui a probabilidade de lesão; aumenta a temperatura corporal e prepara para o exercício.


2. Progressividade: o aumento das cargas deve ser gradual; uma variação brusca de um plano de treino é acompanhada usualmente de lesões.


3. Tempo: Conjugar a quantidade de trabalho com o estado físico actual de cada atleta, em termos de duração de treino. Evitar os extremos, um atleta fatigado é “presa fácil” da lesão.


4. Intensidade: à medida de aumenta o tempo por treino, a carga também é aumentada.


5. Nível de capacidade: a capacidade física de um atleta difere em toda a época desportiva, diferindo de atleta para atleta; deve ser individualizado e só deverá ser executada acompanhando a saúde e segurança para este.


6. Força: O reforço muscular é indispensável, mas com moderação e adequado às características de cada um; deve partir do global para a individualização muscular e de cada atleta visando as suas funções em competição.


7. Técnica: o aperfeiçoamento técnico é importante para alem de aumentar a eficácia do jogo, permite não contrair determinadas lesões pela pratica indevida. Se bem que algumas lesões são fruto das actividades repetidas como as tendinites. (são alguns exemplos: o cotovelo do tenista- epicondilite; o joelho do saltador – tendinite do tendão rotuliano, etc).


8. Motivação: Muitas vezes ignorado, é um factor de extrema importância na obtenção de bons resultados – aumenta a concentração. Parte essencialmente do treinador.


9. Especialização: exercícios específicos para força, relaxamento e flexibilidade. No ponto de vista de prevenção de lesões, a flexibilidade surge como principal factor – um atleta com pouca flexibilidade está mais propenso a roturas musculares e tendinosas.


10. Relaxamento: Durante o treino, e após cada série de exercícios, os grupos musculares devem ser relaxados, melhorando a fadiga e a tensão muscular.


11. Rotina: Mesmo depois do término da época, o atleta deve manter o exercício físico para que as perdas de flexibilidade e condição física sejam menores.


Haveria muito mais a dizer sobre o assunto, mas nessa impossibilidade, aqui foram apresentadas apenas algumas dicas de como poderia consistir, no geral, um plano de treino visando a menor probabilidade de lesão. No entanto, há plena consciência k um treino individualizado nem sempre é possível, principalmente pela falta de acompanhamento que muitas equipas têm. Principalmente a nível regional/distrital. É igualmente importante ter em consideração que os jogadores não são máquinas de produção, mas sim pessoas com capacidades e dificuldades diferentes. Para mim, o treino deve ser: específico, regrado e motivador!


Remato deixando aqui algumas deixas de um conhecido treinador:


"A forma não é física. A forma é muito mais que isso. O físico é o menos importante na globalidade da forma desportiva."


"Não sei onde começa o físico e acaba o psicológico ou o táctico. Para mim, o futebol é globalidade, e o jogador também e assim não consigo fazer a divisão."


"Eu não trabalho o físico. E quando dizem que o Porto está muito bem preparado fisicamente, refuto isso totalmente. O Porto utiliza uma metodologia que rompe com todos os conceitos tradicionais do treino analítico." (José Mourinho)


Lígia Rio


Fisioterapeuta

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Opinião: Importância do exame médico desportivo como prevenção de lesões

Qual a importância deste tão falado exame para um atleta? Será realmente importante?


Parece evidente à primeira vista perceber que se trata de uma avaliação imprescindível do atleta em qualquer meio desportivo. No entanto, os vários agentes ligados ao desporto, tentam menospreza-lo sem consciência dos efeitos negativos que acarretam para o praticante. Assim, pretendo com esta opinião, incentivar a realização deste, principalmente em termos de prevenção de lesões.


É efectuado por um médico que faz a avaliação cuidada do estado físico e psicológico do atleta. Para além da avaliação clínica (cumprindo o preenchimento dos 13 pontos do boletim de exame – imagem) deve fazer-se acompanhar de electrocardiograma e Raio x tórax. O médico, ao assinar o exame, responsabiliza-se pela aptidão do atleta para a prática desportiva para a presente época.


O exame médico tem como objectivos: diagnosticar doenças ou condições que contra-indicam a prática desportiva e diagnosticar anomalias que possam prejudicar o rendimento desportivo ou ate mesmo predispor o atleta a lesão, caso não sejam precocemente detectadas.


Alguns exemplos são: 1- a avaliação do peso, altura e das massas gorda e muscular que permite inferir sobre o índice de massa corporal. O excesso de peso aumenta a probabilidade de lesões osteomusculo-tendinosas por excesso de carga sobre as estruturas e articulações; 2- através da avaliação morfológica do atleta onde se podem detectar: desvios de septo nasal – factor facilitador de aparecimento de lesões devido à não filtragem do ar, dismetrias de membros, alterações estruturais dos pés, joelhos, coluna, etc que podem carecer de correcção; 3- avaliação oftalmológica e auditiva – pela intima ligação com o sistema vestibular/equilíbrio e antecipação de situações que podem evitar contacto e consequente lesão; 4- avaliação estomatológica periódica: a cárie dentária pode predispor o atleta a lesões musculo-tendinosas assim como ausências dentárias ou outros problemas de disfunção temporomandibulares que influenciam a postura por alterações do sistema proprioceptivo; 5- avaliação do sistema cardio-respiratório, talvez o parâmetro com maior importância, deve-se controlar a frequência cardíaca, também a intramuscular, ciclos respiratórios, investigar ruídos respiratórios indicadores ou não de alguma patologia; 6- análise sanguínea – doenças sistémicas a valorizar, colesterol, acido úrico que principalmente predispõem os atletas a bursites e tendinites por deposição dos cristais do mesmo junto dos tendões que consequentemente aumentam a fricção das estruturas; 7- entre muitos outros exemplos.


Para além do que se falou, os desportistas devem fazer o ecocardiograma (ECG) e a prova de esforço. O ECG não é sensível o suficiente para detectar todas as irregularidades que possam existir mas ajuda na detecção de algumas pistas como disritmias, alterações valvulares que podem ter valor clínico para diagnósticos mais avançados. Com apenas o ECG a pessoa pode enganar-se podendo achar que se trata de “coração de atleta” (substancialmente maior que o coração de um individuo “normal”) e não de uma patologia.


Neste âmbito não consigo deixar de lembrar o trágico caso do jogador Miklos Féher, faleceu por miocardiopatia hipertrófica – principal causa de morte em jovens atletas. Não é suficiente saber que o coração funciona, mas sim de que forma ele trabalha!







Com isto, remato dizendo que o maior interessado pelo rigor deste exame médico-desportivo é e deve ser o próprio atleta.


Lígia Rio


Fisioterapeuta