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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Beatriz Silva: "Mesmo que as coisas corram mal, nunca desistam"

Continuando com as entrevistas a atletas da EDV, por ocasião do aniversário da colectividade, apresenta-se hoje Beatriz Silva, Campeã Nacional de Duplo-Mini Trampolim.

Com que idade começaste e como surgiu a ginástica na tua vida?Comecei com quatro anos, por iniciativa dos meus pais que pretenderam que eu praticasse uma atividade desportiva.

Qual a primeira memória de uma competição?
Recordo-me da primeira competição, o distrital de trampolim, em que acordei com um torcicolo porque estava muito nervosa. Mas correu bem e passei ao nacional. Lembro-me como se fosse hoje…

Qual a tua referência?
Ana Rente e Diogo Ganchinho. (Atletas olímpicos)

Se tivesses de convencer alguém a praticar ginástica como o farias?
Convidá-lo-ia para experimentar a sensação de saltar. Se gostasse tanto como eu gostei de saltar pela primeira vez, convidava-o a entrar para a nossa família.

Como são os teus treinos?
Uns mais intensos e divertidos do que outros.

Qual o título que mais prazer te deu conquistar?
O Campeonato Nacional por equipas de duplo-mini trampolim 2011/2012

Até onde queres chegar?
Enquanto tiver tempo disponível para os treinos diários, vou dar o meu máximo todos os dias, esforçar-me e “dar o litro” para renovar estes títulos todos os anos. Sim, gostaria de ir aos Jogos Olímpicos, toda a gente gostaria, mas não é o meu principal objetivo.

Algum hábito antes de uma competição?
Isolo-me de todos os atletas, para me concentrar, revendo todos os exercícios antes da competição. Nesses momentos sou só eu e o meu mundo…

O que pretendes seguir profissionalmente?
Ainda não tenho nada definido, mas gostaria de fazer algo ligado à área da saúde. Ainda tenho muito tempo para pensar no assunto…

Algo acrescentar?
Queria dar um conselho a todos os atletas de esta ou outra modalidade: mesmo que as coisas corram mal, nunca desistam.

Passa & Corta Nome Beatriza Silva
Idade 16 anos
Clubes Escola Desportiva de Viana
Ano escolaridade 10.º ano

José Domingos Ribeiro

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Bruna Gomes: "Se não é bom ter uma família (...) porque não ter duas?"

 Maio é um mês especial para Viana do Castelo. Um dos seus principais clubes celebra o seu aniversário. Nesse sentido, o Desporto em Viana associa-se à Escola Desportiva de Viana e publica algumas entrevistas com atletas do clube vianense. Para começar lançou-se a bola ao ar, que foi prontamente agarrada por Bruna Gomes, uma jovem atleta que partilha com os leitores um pouco da sua vivência.

Com que idade começaste e como surgiu o basquetebol na tua vida? Iniciei a prática do basquetebol aos 14 anos quando, por iniciativa da professora Ana Freixo, treinadora da Escola Desportiva de Viana, realizei o primeiro treino... A partir daí nunca mais parei…

Qual a primeira memória de uma competição?
O meu primeiro jogo foi em Ponte de Lima, onde joguei pela equipa de iniciadas (sub-14) da EDV. Foi esse o ponto de partida de uma grande caminhada. Nele senti, pela primeira vez, o espirito de uma equipa onde, ainda sem conhecer ninguém, fui bem acolhida e integrada. Essa é uma das muitas vantagens de praticar basquetebol ou qualquer outro desporto, partilhar o que sabes e aprender sempre mais.

Qual é o teu atleta de referência?
Não tenho nenhuma referência nem nenhum ídolo em concreto, porque acho que todos temos algo a aprender, mas também a ensinar. É claro que a nível técnico procuro assistir a jogos de atletas mais experientes, mas como grandes referências tenho as minhas colegas e treinadores que me deram, e dão, a conhecer o basquetebol. Eles estão sempre disponíveis para partilhar comigo o que sabem, de modo a que possa evoluir como jogadora e pessoa.

Se tivesses de convencer alguém a praticar basquetebol, como o farias?
Em primeiro lugar perguntava-lhe se não é bom ter uma família; se sim, porque não ter duas? Em seguida sugeria-lhe que fizesse um treino, para que sentisse aquele sentimento que nenhuma palavra consegue descrever. Que visse por si mesma que gostar do que se faz sobrepõe-se ao cansaço e que, mais concretamente no basquetebol, apesar dos muitos processos que é necessário aprender, o facto de nos sentirmos realizados e bem-sucedidos atenua o desgaste de quem luta diariamente pelo que quer.

Como são os teus treinos?
Tenho quatro treinos por semana, e todos eles têm uma componente individual e outra coletiva. Numa primeira parte trabalhamos a técnica individual, de seguida passamos para exercícios de jogo onde, para além dos conhecimentos técnicos, colocamos em prática a interação e a dinâmica de equipa. Ao contrário do que se pensa, é nos treinos que se vê a vontade de vencer, pois só quem dá tudo o que tem no trabalho diário, recebe tudo o que merece na competição. É por isso que, embora sejam cansativos, os nossos treinos têm sempre um excelente ambiente, o que nos permite desfrutar enquanto aprendemos.

Qual o título que mais gosto te deu conquistar?
O título que mais gostei de conquistar foi o de Campeã Distrital de Sub-19, na época de 2011/2012. Foi uma vitória muito ambicionada pelas minhas colegas e treinador, e vencemo-lo enquanto equipa, isto apesar das contrariedades que surgiram. No final, a nossa união e o nosso trabalho foram recompensados.

Até onde queres chegar? 
Relativamente ao basquetebol não tenho nenhum trajeto traçado, vou até onde ele me levar. Contudo, antes de chegar à meta, gostaria de conseguir concretizar alguns objetivos como, por exemplo, vencer uma Taça Nacional. Gostava de continuar a praticar a modalidade no clube que me fez crescer, e mostrar às pessoas que o basquetebol em Viana tem muita qualidade, não só graças às suas atletas, mas também devido aos seus treinadores, a quem desde já agradeço (penso que em nome de todas as minhas colegas) pelo fantástico trabalho que têm vindo a desempenhar ao longo destes anos.

Algum hábito antes de um jogo? 
Não tenho nenhuma rotina definida para os minutos antes do jogo mas gosto de assistir a filmes cujo tema seja o basquetebol, uma vez que todos eles transmitem uma mensagem que nos faz pensar que talvez sejamos capaz de conseguir mais e melhor… o inalcançável é, por vezes, apenas uma questão de perspetiva.

O que pretendes seguir profissionalmente?
A minha ideia é prosseguir estudos nas ciências sociais, talvez marketing e comunicação empresarial. Também aqui, o basquetebol foi uma grande influência, pois a prática de desportos coletivos ensina-nos a trabalhar em equipa, o que é fundamental para um bom desempenho.

Algo acrescentar? Queria agradecer a oportunidade que me foi dada de transmitir um pouco do que é ser atleta, e lembrar que o desporto é sinónimo de vitalidade. Acho que todos, independentemente da modalidade, deveriam praticar desporto. As vantagens são inúmeras…



Passa & Corta
Nome Bruna Gomes
Idade 18 anos
Clubes Escola Desportiva de Viana
Posição Extremo
Ano escolaridade 12º. Ano

José Domingos Ribeiro

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Rui Rego: “Muita gente continua a achar que Ténis de Mesa é pingue-pongue”

Não basta pegar numa raquete e marcar uns pontos para ser um bom jogador de Ténis de Mesa. Rui Rego começou bem cedo a investir na modalidade e considera a sua equipa uma segunda família. Quem pratica uma vez na vida já não consegue parar.

Com que idade começaste a praticar Ténis de Mesa? 
Quando estava no Externato das Neves, em 1999, o professor Jorge convidou-me a fazer um ou dois treinos e alinhei na brincadeira, não muito na perspetiva de continuar. Acabei por gostar e combinei com um amigo ir até ao Centro Recreativo e Cultural das Neves (CRCN) fazer uns jogos. Na altura apareceu o Amadeu Silva, que me fez começar a praticar regularmente.

Como descreves o teu percurso na modalidade? O Centro é como uma segunda casa minha e é com alegria que olho para todos os bons momentos que passei na modalidade. A nível desportivo, enquanto atleta jovem, tive um percurso razoável. Consegui bons resultados a nível nacional que hoje em dia são muito mais difíceis de obter. Penso que foi um percurso bastante bom.

Qual foi até hoje o melhor momento da tua carreira? Na classe de Juniores acho que atingi um momento de forma bastante elevado e consegui uma boa classificação no campeonato de Seniores. Nesse mesmo campeonato distrital, no último jogo, fiz um jogo de grande nível e, contra todas as expetativas, derrotei um atleta do Barroselas (Rui Lacerda). Com essa vitória retirei-lhe o título de campeão, "oferecendo-o" a um atleta das Neves (Filipe Baptista). Foi, sem dúvida, um momento alto que jamais esquecerei e pelo qual me sinto extremamente orgulhoso.

E o pior?
Há muitos. O meu pior momento foi quando regressei da Suíça e tive que fazer um apuramento para a 1ª Divisão. Na altura não consegui ficar nos dois primeiros. Fiquei em 3º lugar e passei duas semanas bastante em baixo porque era um objetivo teoricamente simples e que falhei.

Como reagiste ao facto de estares na Suíça e não poderes praticar Ténis de Mesa regularmente? Foi bastante complicado. Na altura ainda tentei procurar um clube para treinar, mas as quotas de inscrição eram bastante elevadas. Associar os estudos, a vida de Erasmus e os custos não foi fácil e acabei por não praticar. Custou-me imenso, mas estava sempre em contacto com a minha equipa para saber os resultados. Pior que isso foi o tempo que demorei a recuperar a minha forma, que foi bastante longo.


Neste momento, estás a trabalhar em Lisboa, mas continuas a jogar pela equipa de Viana. Como não podes treinar com os teus colegas decidiste praticar com os Catedráticos, uma equipa de Carnaxide. Como foste lá parar? A minha história no Catedráticos é engraçada. No ano passado, o Miguel Vaz, que é o coordenador dessa equipa, encontrou-me num torneio e disse-me que costuma passar férias em Viana e falou em marcar um treino connosco. O ano passado, no Torneio de Vila do Conde, ele veio ter comigo e perguntou-me se queria marcar o prometido treino. Conversa puxa conversa e eu disse-lhe que ia para Lisboa. Foi aí que ele me convidou a ir lá treinar. Decidi ir e ainda bem, porque o ambiente, desde o início, foi espetacular. Neste momento, estou a treinar duas a três vezes por semana.

Qual é o maior benefício que retiras por treinares nesse clube?
Além de conseguir manter a forma, é um clube que acolhe muitos jogadores, o que me permite jogar com muitos atletas diferentes. O nível deles não é inferior ao meu e alguns são superiores, o que proporciona bons treinos. Ou seja, em tudo está a ser muito positivo porque posso manter o nível, melhorar e, além disso, passo um bom bocado, em que reina a camaradagem. Desde Maio que estou cá e a melhor escolha que fiz foi optar por treinar nos Catedráticos.

Gostavas de jogar num clube de maior dimensão?
Sonhos todos temos e, se calhar, em miúdo queria um clube maior, mas o que queria mesmo era chegar a Sénior e ter outro tipo de nível bastante melhor. Sempre tive a noção de que o Ténis de Mesa exige muito treino e quando era Cadete e Júnior via que os melhores já treinavam todos os dias e até várias vezes ao dia enquanto eu treinava duas a três vezes por semana. Desde cedo tive a perceção que era muito difícil jogar noutro patamar, mas o meu sonho, neste momento, é representar o Centro num nível superior. Ultimamente temos lutado pela manutenção, mas o meu sonho é sermos uma equipa bastante forte que todas as outras tenham receio. O meu sonho é que as outras equipas olhem para o nome do Centro e digam “Este é um adversário de respeito”. Ainda temos que trabalhar muito e cada vez mais.

Foto: Jaime Pereira
A equipa do CRCN tem jogado na 3ª Divisão, mas este ano, devido a alterações da Federação, vai integrar a 2ª Divisão Masculina. Esta mudança traz algum benefício? A nível da competição vamos defrontar quase as mesmas equipas da época passada e, portanto, o nível será relativamente semelhante. A maior dificuldade é que, apesar de não descer nenhuma equipa, três equipas vão disputar a manutenção e isso obriga a termos que ir mais além do que têm sido as últimas épocas. O desafio vai ser maior do que nas outras épocas, apesar de o nível ser semelhante.

Ao contrário de épocas anteriores, este ano, o CRCN assume que o objectivo não passa pela manutenção?
Dada a motivação com que estamos a trabalhar e a preparar a nova época (fizemos muitos quilómetros a Espanha para participar em torneios), penso que vamos entrar em todos os jogos para ganhar. Sabemos que vai ser difícil e temos noção das nossas debilidades, mas este ano estamos convencidos que podemos fazer algo bonito.

Qual é o panorama do Ténis de Mesa em Portugal?
O que se passou nos Jogos Olímpicos foi um ponto de viragem para a história do Ténis de Mesa, em Portugal. Tínhamos três, quatro jogadores de elite a nível mundial e tínhamos pouco conhecimento da modalidade em Portugal. Infelizmente, ainda existe um número reduzido de atletas federados, pouca gente conhece o Ténis de Mesa e muita gente continua a achar que é pingue-pongue, um simples desporto de recreio.

Como explicas que tantas pessoas gostem de jogar pingue-pongue, mas não invistam numa formação profissional de Ténis de Mesa?
O Ténis de Mesa não move tantas massas como o Futebol, por exemplo. Por outro lado, é um desporto individual e eu penso que gente chama gente. Chamando mais gente à modalidade automaticamente mais gente estará disposta a apoiar. Penso que o Ténis de Mesa precisa de ter mais visibilidade para chamar gente e precisa de ser reconhecido para as pessoas perceberem que aquela modalidade, apesar de ser individual, pode chamar muita gente.

A dificuldade em ser jogador profissional tem alguma influência?
Eu não iria tanto por aí, porque tenho a certeza que toda a gente que entra para o Ténis de Mesa e tem potencial não vai desistir por achar que não vai ser profissional. É um desporto em que quem entra, nunca mais deixa. Infelizmente, há poucos apoios e há muitas equipas que estão restringidas a poucos jogadores, porque não há condições para ter mais atletas. O Centro também vive muito essa dificuldade e, neste momento, podemos dizer que não temos mais atletas por falta de condições.

Que sonhos te faltam concretizar?
Falta-me um título do Campeonato Distrital de Seniores. Esse é, no curto prazo, o meu objectivo.

Passa & Corta 
Nome Rui Filipe Barros Amorim do Rego
Idade 24 anos
Clubes CRC Neves (1999 - Atualidade)
Principais Títulos Campeão Distrital Cadetes, Júniores, Sub-21 e Pares; Campeão do Minho em Sub-21; Vencedor III Top 8 - Taça Cidade Viana do Castelo
Ponto alto Subida à 3ª Divisão Nacional
Ponto baixo Regresso à competição após Erasmus na Suíça

Fabíola Maciel

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

César Fonte: “Gostava de dar o salto para uma equipa estrangeira”

Que expetativas e objetivos tinhas para a 74ªVolta a Portugal?
Dias antes de começar a competição estava com grandes expetativas de realizar uma grande Volta. Este ano planifiquei a época de uma maneira diferente. Concentrei-me mais na Volta a Portugal, abdicando de estar em plena forma noutras competições. À partida sabia que objetivo da equipa era vencer a Volta a Portugal e, portanto, o meu objetivo era realizar um grande trabalho em prol da equipa, ajudando sempre ao máximo os nossos líderes. Nunca meti em primeiro lugar os meus interesses pessoais, mas, muitas vezes, em circunstâncias da corrida surgem oportunidades e sabia que, se tal viesse acontecer, tinha que aproveitar essa oportunidade ao máximo porque podia ser única na competição.

Há um mês imaginavas que era possível vencer uma etapa?
Sinceramente, não. Sabia que estava em grande forma e tinha valor para vencer, mas a realidade também dizia que estava inserido numa grande equipa com grandes nomes do ciclismo português e que tinha grandes responsabilidades em lutar pela vitória na Volta a Portugal. Portanto, à partida não ia com ideias em grandes resultados pessoais. Claro que estamos a falar na Volta a Portugal, a corrida mais importante para o nosso calendário, em que não é nada fácil vencer uma etapa e a prova disso é que só três portugueses conseguiram este feito este ano.

A quem dedicas essa vitória?
Em primeiro lugar, como é óbvio aos meus pais e ao meu irmão, se não fosse o apoio deles quando era mais novo muito provavelmente hoje não era ciclista profissional. Dedico também à restante família, aos meus amigos, em especial ao grupo de amigos do futebol M. Pinto (eles são grandes) e também a todos os meus ex-treinadores das equipas de formação por onde passei. Sem eles isto não era possível e, por último, a todas as pessoas que eu próprio não conheço pessoalmente mas que gritaram pelo meu nome durante a Volta.

Foto: Carlos Rocha
No dia seguinte foste recebido em Viana do Castelo pela tua família e amigos. O que sentiste quando viste um mar de gente ansioso por te felicitar? 

Na verdade, são estes os momentos que valem tudo. Ganhar uma etapa na Volta a Portugal era um sonho, mas ter a oportunidade de poder sair da minha cidade com a família e muitos amigos presentes no dia a seguir depois de o conseguir foi fabuloso. São momentos que não se descrevem com palavras mas, sim, sentem-se e muito.

Como viveste a vitória do Rui Sousa na Senhora da Graça?
Foi um dia perfeito. O Rui é muito mais do que um colega de equipa, é um grande amigo, e, por isso, vê-lo vencer uma das etapas mais míticas da Volta a Portugal foi mais um grande momento de felicidade. Continua a demonstrar uma grande força física e a somar currículo. Quem sabe para o ano consiga finalmente vencer a Volta a Portugal.

Surpreendeste também no contra relógio individual. Esperavas ter um resultado tão bom numa etapa com estas caraterísticas?
Sei que é o meu ponto fraco, mas sinceramente estava à espera de melhorias no contrarrelógio. Treinei muitas horas este ano na bicicleta de contrarrelógio quando noutros anos quase nem o fazia. Optei também por marcar presença na prova nacional de contrarrelógio só com o objetivo de melhorar com vista ao futuro. Para já, o resultado de todo o treino específico que fiz foi positivo.

Com uma Volta a Portugal tão intensa, consegues definir um momento favorito para ti?
Ganhar uma etapa foi histórico. Foi, sem dúvida, um grande momento, muito provavelmente o mais importante até hoje na minha carreira. Mas, na verdade, esse fim de semana foi muito marcante. Eu e o Rui Sousa conseguimos ganhar as etapas que partiram do nosso concelho, melhor era quase impossível.

A Efapel-Glassdrive foi desde cedo apontada como a equipa favorita para a Volta a Portugal. Quais foram os ingredientes que vos levaram ao sucesso?
A nossa equipa é uma autêntica parada de estrelas do ciclismo português, mas nem sempre é fácil uma equipa triunfar com tantos valores. Nesse aspeto, o nosso diretor Carlos Pereira tem todo o mérito. Delineou um objetivo claro e todos nós sabíamos que papel tínhamos dentro da equipa. Depois, todo nosso profissionalismo transformou isso em resultados.

Como é o ambiente na equipa?
O ambiente é bom, apesar de algumas entradas na equipa este ano tudo continua igual ao que já era noutras épocas.

É bom ter dois colegas de Viana do Castelo?
Sim, claro. Viana do Castelo sempre foi uma terra de grandes valores no ciclismo e poder ter dois colegas na equipa é bastante produtivo para todos nós, porque basicamente treinamos sempre juntos e depois também temos a sorte de correr com os mesmos objetivos. O Rui Sousa é o mais experiente e uma referência do nosso ciclismo. Tenho aprendido e continuo aprender bastante com ele. Tenho tido uma grande evolução, mas muita devo ao Rui Sousa. O Sandro Pinto é o mais novo. Foi o seu primeiro ano como profissional mas tem muito potencial e um grande futuro pela frente. Era muito bom para todos surgirem mais ciclistas profissionais em Viana. 

 
Sentes que não só os vianenses, mas também os portugueses em geral conhecem o teu nome e te apoiam?
Sim, talvez seja normal porque a Volta a Portugal é a corrida mais mediática do país, mas, na verdade, foi um pouco estranho de repente ser conhecido e apoiado por muita gente. Mas é muito bom.

O que podemos esperar do César Fonte na próxima época?
A única coisa que posso prometer é que vou continuar a trabalhar como até hoje. Quero continuar a evoluir cada vez mais e quem sabe na próxima época consiga dar mais um passo, principalmente na Volta a Portugal.

Que metas queres alcançar no futuro?
Eu gostava de dar o salto para uma equipa estrangeira que me poderia dar a oportunidade de fazer outro tipo de calendário, como participar nas corridas mais importantes do mundo, mas se não surgir a oportunidade vou certamente concentrar-me na Volta a Portugal. Com o passar dos anos começo a perceber que posso ser um ciclista para discutir a Volta a Portugal no futuro.

No próximo ano, Viana do Castelo vai receber uma chegada de etapa. Gostarias que fosse disputada entre ti e o Rui Sousa?
Era excelente um de nós conseguir vencer na nossa cidade. Era bonito, mas depende do tipo de etapa que teremos pela frente. Eu e o Rui somos ciclistas talhados para a montanha e normalmente a etapa com chegada a Viana costuma ser uma etapa fácil, com chegada ao sprint e se assim for será muito complicado consegui-lo.

Os vianenses já conhecem e seguem bem de perto o ciclismo nacional?
Viana sempre teve grande história na modalidade e grandes ciclistas. Nos últimos anos, o Rui Sousa tem tido grandes performances na Volta, mas acho que o ciclismo está outra vez a ganhar a importância que teve no passado na cidade. Este ano foi uma grande Volta para nós ciclistas de Viana e acaba por ser normal os vianenses olharem com outros olhos para o ciclismo. Quero aproveitar para agradecer ao Desporto em Viana por continuar a fazer um grande trabalho em prol da nossa modalidade na nossa cidade.

Fabíola Maciel

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Alexandre Ribas: "Numa competição os erros podem retirar a tão desejada vitória"

Foto: EDV
De Phelps já todos ouvimos falar mas de Alexandre Ribas nem tanto. Todavia, este atleta da Escola Desportiva de Viana é um nadador vianense que acumula títulos e conquistas nas piscinas por onde nada. Não prometendo, o desejo de Alexandre passa por estar no Rio, em 2016, a nadar entre os melhores.

De ano para ano tens vencido cada vez mais provas e títulos. Qual o segredo?
O segredo é treinar e trabalhar até ao máximo pormenor as minhas capacidades, de modo a conseguir alcançar o mais alto nível. Porque numa competição os erros podem retirar a tão desejada vitória ao atleta.

Até onde queres chegar?
Eu não faço planos, apenas dou o meu melhor e tudo o que ainda alcançar será uma enorme alegria.

Os vianenses podem sonhar com uma participação tua nos Jogos Olímpicos de 2016?
Poder, podem mas os Jogos Olímpicos são muito difíceis de alcançar por isso, não prometo nada.

Como são os teus treinos?
Os meus treinos têm de tudo, momentos para brincar e descontrair mas ao mesmo tempo momentos de enorme concentração e esforço. Ambos são fundamentais.

Qual a especialidade em que te sentes mais forte?
A especialidade em que eu me sinto mais forte é estilos, apesar de o meu melhor estilo ser costas, mas na próxima época espero trabalhar um pouco mais estilos.

Qual o título que mais prazer te deu conquistar?
O título que mais gostei de alcançar foi o dos Jogos do Eixo Atlântico em que também participavam equipas espanholas. Foi o que mais me deu prazer. Primeiro porque a medalha é muito bonita e segundo porque foi muitíssimo renhida a prova.

E qual o que mais ambicionas?
O que mais ambiciono e vencer é o Multinations do ano que vem. É uma enorme e complicada ambição mas vou trabalhar para isso.

O que pretendes seguir profissionalmente?
Ainda não tenho a certeza do curso mas quero algo ligado ao ambiente e à natureza.

Com que idade começaste e como surgiu a natação na tua vida?
A natação surgiu graças a um aconselhamento médico, devido a problemas de asma. Se não estou em erro, aos dois anos entrei para a piscina, e por volta dos 4/5 anos nasceu a paixão da competição.

Qual a primeira memória de uma competição?
A primeira memória de uma competição é da minha primeira prova, enquanto federado pelo clube Ancorensis. A prova, curiosamente, foi realizada na piscina onde hoje treino diariamente, a piscina Frederico Pinheiro.

Qual a tua referência na natação?
Referências tenho muitas mas a maior para mim é o Ryan Lochte, pois ele é um atleta que sempre esteve na sombra do seu colega Michael Phelps, mas o Ryan não se deixou ficar na sombra e, com todo o seu esforço e dedicação este atleta mostrou o que valia ao bater um dos grandes recordes do Phelps, aos 200 estilos. Por isso ele é uma grande referência para todos.

Se tivesses de convencer alguém a praticar natação, como o farias?
Eu diria que na natação se conhece muito boas pessoas, sítios espetaculares, mas acima de tudo vive-se experiências que só quem as viveu as pode descrever. A natação exige muito sacrifício, mas pessoalmente acho que é muito maior a recompensa.

Passa & Corta
Nome Alexandre Lages Ribas
Idade 15 anos
Clubes Ancorensis, EDV
Especialidade 200 Costas/200 Estilos
Ano escolaridade 10.º ano

José Domingos Ribeiro

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tânia Cabral: "o futsal não é só para os homens"

Tânia Cabral, apesar da juventude, é das principais caras do futsal feminino vianense. Após ter conquistado o título pela ES Monserrate, a atleta conversou com o Desporto em Viana sobre a época que passou e sobre a paixão pelo futsal.

A época que terminou voltou a ser coroada com a conquista do campeonato. Teve algum sabor especial?
Tem sempre um sabor especial conquistar o campeonato. Sem dúvida que foi o ano mais renhido pois foi disputado por quatro equipas até a última jornada.

Que panorama traças do futsal feminino em Viana do Castelo?
Acho que o campeonato de Viana tem evoluído bastante. Está cada vez mais equilibrado pois as equipas têm-se reforçado bem e têm evoluído muito. O único problema é que continua a ser pouco apoiado em relação ao futsal masculino. Embora nós tentemos mostrar que o futsal não é só para os homens mas também para as mulheres.

Apesar de se dizer que o futsal é um desporto masculino, o futsal feminino leva bastante gente aos pavilhões. Consegues encontrar alguma explicação para esse facto?
Sim é verdade que o futsal feminino agora começa a levar mais gente aos pavilhões, mas mesmo assim, em relação ao masculino, não é assim muito! Mas acho que a explicação para isso se deve ao facto do trabalho que temos mostrado ao longo das épocas. As equipas têm mostrado bom futsal, tão bom ou melhor que o masculino, e as pessoas têm-se mostrado interessadas em ver-nos, o que isso é bom para nós!

És das jogadoras mais carismáticas do futsal feminino vianense. Como te descreves como jogadora?
Não me sinto como tal. Pois temos grandes jogadoras em Viana! Apenas acho que posso ser das jogadoras com mais experiencia, o que pode ajudar na equipa e ajudar as jogadoras mais novas com pouca experiência. Como jogadora sou polivalente. Consigo fazer qualquer posição em campo. Sou uma jogadora lutadora, que em todos os jogos luta pela vitória até ao fim! Mas, acima de tudo, uma jogadora bastante calma, para poder ajudar as suas colegas em campo.

Onde vais jogar na próxima época?
Onde irei jogar na próxima época ainda é uma incógnita. Já recebi uma proposta! Mas terei que analisar tudo e no melhor para mim. Pois com o meu trabalho não tenho a vida muito facilitada.

Como surgiu o futsal na tua vida?
Eu sempre amei o futebol desde pequena. Passava o tempo todo a jogar na minha infância! O futsal acabou por surgir por volta do meu oitavo ano. Nessa altura na escola Pedro Barbosa fez um jogo contra a escola da Abelheira e foi lá que o treinador Rui Silva me viu jogar e me veio convidar para fazer uns treinos no Académico. Tudo começou ai! Na altura praticava voleibol e depois acabei por optar pelo futsal, pois era o desporto que mais alegria me dava a jogar.

Qual o treinador que mais te marcou?
Todos os treinadores me marcaram, pois todos eles me ensinaram coisas diferentes de formas diferentes, pois cada um tem o seu método de trabalho! Mas penso que aquele que marca mais é sempre o primeiro, aquele que aposta em nós no início e no meu caso foi o Rui Silva. Foi ele que me formou, que me ensinou a maior parte do que sei hoje, pois trabalhei com ele durante vários anos!

Qual a tua referência no futsal?
A minha referência talvez seja o Ricardinho, para mim um jogador fora de serie. Mas admiro várias jogadoras que já defrontei, caso da Mantorras, do Vermoim, da Daniela Vieira, da Júnior e da Pisco dos Restauradores! Para mim são grandes jogadoras.

Tens algum hábito antes de um jogo?
O único hábito que tenho é antes do jogo entrar com o pé direito e benzer-me.

Se tivesses de convencer alguém a praticar futsal como o farias?
Apenas lhe dizia que se realmente fosse uma coisa que ela gostasse que fosse em frente, que luta-se por isso. Porque o futsal não é só para os homens.

Qual é o momento mais bonito que já viveste no futsal? E o menos bonito?
Os momentos mais bonitos são sem dúvida a conquista do campeonato ou a conquista de algo. A participação no nacional também é um momento bonito! O menos bonito foi quando perdi um campeonato e outros troféus.

Qual é o teu maior sonho no futsal?
Como qualquer jogadora acho que é sem dúvida chegar a seleção nacional. Mas sei o quanto é difícil chegar lá pois temos grandes jogadoras no pais!

Algo que desejes acrescentar?
Que a nossa associação comece de certa forma a apoiar mais o futsal feminino pois também merecemos. Pois lutamos para isso constantemente! E que as pessoas se dirijam mais vezes aos pavilhões para verem os nossos jogos.


Passa & Corta
Nome Tania Cabral
Idade 23
Clubes Neiva (Freixo), ARA, Cidadelhe, Soutelense, Monserrate
Profissão Colaboradora na Zara

José Domingos Ribeiro

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sérgio Marinho: "Tenho dois grandes objetivos que são jogar na 1ª liga espanhola e representar a seleção nacional"

Leitores, fixem este nome: Sérgio Marinho. Um miúdo que adora basquetebol e que sonha com a seleção nacional. É de Viana do Castelo, joga pelo CB Viana a revelou ao Desporto em Viana os seus sonhos e ambições.

Na próxima época és cadete de segundo ano. Tu e a tua equipa carregam a herança de serem os detentores da Taça Nacional. Como descreves a época que terminou e como esperas que seja a próxima?
Penso que foi uma grande época, tornamo-nos campeões e conseguimos o nosso maior objetivo. Em relação à próxima época, desejamos tornar-nos campeões distritais. Se o conseguir-mos, iremos competir no campeonato nacional, que é a prova mais importante a nível nacional

O CB Viana regressou em grande, com fortes resultados, levando ao pavilhão de Santa Maria Maior muita gente para ver basquetebol. A que se deve este ressurgir e o crescente interesse no basquetebol? 
Com a presença de uma equipa da cidade numa fase final é natural e muito prestigiante que o interesse no basquetebol aumente. Espero que continue assim por muito mais tempo

Muitas vezes, diz-se que só os mais altos podem ser jogadores de basquetebol. Concordas?
Não! Não concordo nada.

És apontado como um dos atletas mais promissores no distrito. Como tens recebido tantos elogios?
É sempre bom receber elogios, principalmente por saberes que o teu trabalho diário é recompensado e notado por muita gente.

Como surgiu o basquetebol na tua vida?
Não foi por influência de ninguém. Decidi experimentar, gostei muito e quero fazer disto vida.

Qual o treinador que mais te marcou?
Tenho dois que me marcaram imenso! O treinador Resende, porque foi o meu primeiro treinador e o que me ajudou a ficar com o gosto do basket. Outro treinador que me marcou muito foi o meu atual treinador, Virgilio Valente, que me ajudou a evoluir bastante e que me fez ver que é isto que quero para o futuro. Estou eternamente grato a eles e a todos os outros que me ensinaram sempre algo e me ajudaram a tornar-me melhor.

Qual a tua referência no basquetebol? 
João “Betinho” Gomes. Para mim e para muitos o melhor jogador Português. Atualmente está no SLB, mas tem qualidade para muito mais!

Tens algum hábito antes de um jogo? 
Não. Tento apenas manter-me concentrado ao máximo para que tudo corra bem.

Se tivesses de convencer alguém a praticar basquetebol como o farias? 
Levava-o a ver um jogo e a fazer um treino. Tenho quase a certeza que a paixão surgiria logo.

Sérgio com o seu ídolo (Foto: DR)
Qual é o momento mais bonito que já viveste no basquetebol? E o menos bonito?
O mais bonito, sem dúvida, foi na festa do basquetebol Juvenil em 2011, em Portimão, pela seleção distrital, quando marquei o cesto da vitória contra a seleção de Braga que nos garantiu a manutenção na 1ª divisão. O menos bonito foi na época 2009/2010, quando na final do campeonato distrital estávamos a ganhar por 15, a 5 minutos do final, e acabamos por perder o jogo por quatro pontos contra o Basquete Clube de Valença.

Qual é o teu maior sonho no basquetebol? 
O sonho de qualquer jogador de basket é jogar na NBA. Como isso é quase impossível, tenho dois grandes objetivos que são jogar na 1ª liga espanhola e representar a seleção nacional!

Algo que desejes acrescentar? 
Queria agradecer a todos que me ajudaram nesta época e sempre, tanto no basket como fora, nomeadamente família, amigos e treinadores. Um grande abraço para todos.

Passa & Corta
Nome Sérgio Marinho Felgueiras
Idade 15
Clubes ED Viana, CBViana
Escola Frei Bartolomeu dos Mártires
Ano escolaridade 9º

José Domingos Ribeiro

quinta-feira, 10 de maio de 2012

César Pinheiro: “Tudo farei para que o clube se mantenha na primeira divisão”

Foto Desporto em Viana
César Pinheiro é um dos símbolos resultantes da formação em Viana do Castelo no plantel sénior da Juventude de Viana. Numa semana em que novo valor começa a despontar (Gustavo), o Desporto em Viana foi conversar com o hoquista que ficou na Juventude nos bons momentos (vice campeã nacional) e nos maus (a descida na época passada e a luta pela permanência nesta). 

Faltam 4 jornadas para o final do campeonato e a Juventude de Viana ainda sonha com a manutenção. Acreditas que é possível?

Sim, acredito que ainda é possível! A Juventude de Viana é um clube histórico da modalidade e merece todo o respeito e dedicação da nossa parte. Enquanto for matematicamente possível, tudo farei para que o clube se mantenha na primeira divisão. Em todos os treinos e jogos dou o máximo porque acredito que ainda é possível, e os adeptos não merecem outra coisa se não a nossa máxima dedicação e concentração, têm sido exemplares. 

Há alguma justificação para o percurso oscilante da equipa (jogos muito bem conseguidos e outros nem tanto)?

Penso que não há uma só justificação… É verdade que o nosso percurso tem sido um pouco irregular. Houve jogos em que defendemos bem, mas na altura de fazer o golo a bola não queria entrar e isso não acontecia com os nossos adversários, em que a bola entrava de qualquer maneira. Sabemos que temos de estar mais concentrados e mais cautelosos do que as outras equipas, porque a sorte não tem estado do nosso lado. No entanto, também admito que a nossa atitude poderia ter sido outra em alguns jogos. Em qualquer desporto isso acontece, exibições bem conseguidas e outras não tão boas.

O que significa para ti jogar na Juventude?

Para mim ter ficado na Juventude de Viana, na altura recheada de jogadores de qualidade mundial como o Paulo Almeida, Luís Viana, Pedro Alves, Centeno, Luís Filipe entre outros, foi a realização de um sonho. Trabalhei muito para representar o plantel sénior deste clube. É o clube do meu coração e da minha cidade. Tenho um enorme orgulho por aqui estar, porque adoro a Juventude, os adeptos e este pavilhão.

Como surgiu o hóquei na tua vida? 

O hóquei apareceu por mero acaso. Na altura em que me fui inscrever na natação vi umas fotos de hóquei na sede da Escola Desportiva de Viana. Perguntei à minha mãe que desporto era “aquele”? Ela lá me explicou sucintamente e questionou-me se me queria inscrever, na altura tinha 6 anos. Aceitei e convidei dois primos meus para virem também. Foi assim que começou o hóquei na minha vida…


Como foi a evolução como atleta?


A minha formação foi quase toda ela em Viana. Apenas saí para jogar no Óquei de Barcelos no segundo ano de júnior.

Qual o treinador que mais te marcou?

Luís Viana 

Qual a tua referência no hóquei em patins?

Felizmente tive a oportunidade de jogar com jogadores como o Paulo Almeida, Luis Viana, Luis Filipe, Pedro Alves, André Centeno que me ensinaram muito e que se tornaram grandes referências para mim. Mas gosto também de ver jogadores como o Reinaldo Ventura, Reinaldo Mallea e o Pedro Gil a jogar.

Algum hábito antes de um jogo?

Antes dos jogos gosto de falar com as pessoas que me são mais próximas e ouvir o que elas me têm para dizer. É o único hábito que tenho.

Se tivesses de convencer alguém a praticar hóquei em patins como o farias?

Penso que a melhor maneira de convencer alguém a praticar hóquei é levar essa pessoa a assistir a um jogo. 

Qual é o momento mais bonito que já viveste no hóquei? E o menos?

Os melhores momentos que tive no hóquei foi quando soube que ia fazer parte do plantel sénior e quando me sagrei vice-campeão nacional! O pior foi no ano passado, quando descemos à segunda divisão.

Qual é o teu maior sonho no hóquei?

Representar a seleção nacional.
Foto Desporto em Viana
Passa & Corta

Nome César Daniel Ramos Pinheiro
Idade 23
Clubes EDV, Juventude de Viana, OC Barcelos
Curso Desporto e Lazer

José Domingos Ribeiro

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Daniel Coelho: «O meu maior sonho seria ser Campeão do Mundo de seleções»

Chegou em dezembro à equipa e tem ajudado a formação laranja a procurar a manutenção. Daniel Coelho fez a sua formação no Óquei de Barcelos, passou por Espanha e pela ilha dourada mas é na Juventude que recupera a alegria de jogar hóquei em patins, após uma grave lesão que o atormentou em 2011.

O que te levou aceitar jogar na Juventude?
Foi um conjugar de vontades, tanto da Juventude de contar comigo, como minha de voltar a jogar, visto que estive parado primeiro devido a lesão e depois por opção.

O que podem os adeptos da Juventude esperar da equipa na segunda volta?
Podem esperar muita luta para conseguirmos o objetivo principal da equipa, que, neste momento, passa por garantir a manutenção.

A vitória em Barcelos foi o tónico que faltava à equipa para uma segunda volta que garanta a manutenção?
A vitória em Barcelos foi só isso, uma vitória. Temos noção que o Barcelos está em quarto lugar e que para nós foram muito importantes esses três pontos, mas temos que ter os pés bem assentes no chão e ir pensando jogo a jogo. O que essa vitória trouxe foi mais confiança.

Fizeste a tua formação no Óquei de Barcelos. Como foi jogar contra o Óquei, em Barcelos, e por um dos principais rivais dos azuis?
Foi especial voltar a um ringue onde passei toda a minha juventude e onde toda a gente me conhece, mas quando se está dentro do ringue as amizades passam para segundo plano e o que interessa é a vitória da Juventude.

A Juventude já teve no passado irmãos a jogar em simultâneo. As coisas no ringue são diferentes quando estás com o teu irmão?
É sempre bom jogar ao lado do meu irmão, pois além do excelente jogador que é, existe entre nós um enorme entendimento e isso só beneficia a equipa.

Como tens conciliado os estudos com a prática de hóquei em patins?
É complicado, mas temos sempre que ter uma ‘forcinha’ extra, tanto para estudar ou para ir ao treino.

Como vês a situação do Porto Santo, clube que representaste?
É uma situação que me deixa triste. Como ex atleta do clube e sabendo das excelentes condições que lá existem para a prática da modalidade é com tristeza que vejo o clube cair na segunda divisão e, mais grave, cheio de dívidas.

Qual é o momento mais bonito que já viveste no hóquei? E o menos?
Não tenho um momento bom, mas sim dois. Foram quando me sagrei campeão europeu de sub 17 e sub 20 e sendo eu a levantar a taça de campeão. Foram dois momentos inesquecíveis, de arrepiar mesmo. O momento menos bom foi todo o último ano, onde estive parado desde 15 de janeiro, devido a lesão, e que culminou com uma operação em abril, seguido da minha opção de estar parado desde setembro até dezembro. Este último ano foi, sem dúvida, muito difícil para mim.

Qual é o teu maior sonho no Hóquei?
O meu maior sonho seria ser Campeão do Mundo de seleções.


Passa & Corta
Nome Daniel Marcelo Campos Coelho
Idade 22
Clubes Óquei de Barcelos, Vigostick, Óquei de Barcelos, Porto Santo, Juventude de Viana
Posição Defesa-médio
Principais títulos Campeão Regional (em todos os escalões desde infantis A até Juniores), Campeão Nacional de Juvenis 2003, Campeão Europeu sub 17 2005, Campeão Europeu sub 20 2008, Vice Campeão Mundial sub 20 2007, Vice Campeão Europeu Sub 17 2004, Vice Campeão Europeu sub 20 2006
Curso Ciências da Comunicação

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Carlos Jorge Corte: "A ginástica é uma atividade que pode ser iniciada em qualquer grupo etário"

Carlos Jorge Corte (Foto EDV)
A ED Viana deu recentemente conta do aumento de 128% no número de praticantes de ginástica no clube. Pois se mais motivos existissem, este foi mais um que levou a conversar com o professor Carlos Jorge Corte, Treinador de 3º nível de Trampolins e 1º nível de Tumbling e Desportos Acrobáticos pela Escola de Ginástica de Portugal, e conhecer um pouco mais sobre uma das modalidade que mais títulos e prestígio traz para o concelho. 

Em que consiste a ginástica?
A ginástica é uma atividade psico/física com imensas variantes. Vai desde a ginástica prescrita por um profissional de, passando pela ginástica praticada por mero prazer que se pode enquadrar no âmbito do lazer e a desportiva. Nesta última existem imensas modalidades: artística, rítmica, trampolins, desportos acrobáticos, geral entre outras. No fundo a ginástica carateriza-se por um conjunto de atividades que fazem recurso de componentes biológicas psíquicas sociais/culturais. Ela pode ser efetuada com a ajuda de aparelhos gímnicos ou não. A ginástica é uma atividade constituída por um conjunto de exercícios ou formas de expressão motora, que são aplicadas de forma sistematizada e com objetivos específicos. 

Como está dividida?
Existem muitas variantes da ginástica tais como argolas, barra fixa, solo, saltos de cavalo, paralelas, cavalo de arções, saltos de cavalo, paralelas assimétricas e trave. Especificamente falando dos trampolins, existem várias disciplinas: mini-trampolim, duplo-mini-trampolim e trampolim individual e sincronizado. 

O mini-trampolim (conhecido pela maioria dos alunos) é um pequeno aparelho constituído por uma tela retangular fixa a uma estrutura rígida por um conjunto de molas (ou cordão elástico) permitindo a impulsão do ginasta. O ginasta executa uma corrida preparatória a que se segue uma “chamada” para o trampolim. Após a impulsão o aluno efetua movimentos acrobáticos com maior ou menor dificuldade, constituídos normalmente por rotações nos eixos longitudinais e/ou transversais, separadamente ou em associação, simples ou múltiplos, a que se segue uma receção num colchão. A dificuldade é determinada pelo número de “mortais”ou “piruetas”. Uma competição é constituída por três séries. É uma disciplina que consta dos programas escolares e a competição é feita unicamente a nível nacional. 
Ginástica em ação na Festa das Modalidades (Foto EDV)
O duplo-mini-trampolim é um aparelho constituído por uma estrutura rígida retangular à qual se fixa uma tela de fitas de nylon de 13 mmm com 292 X 92 cm. Possui uma proteção acolchoada com as dimensões de 350 X 190 X 70 cm e proporciona um impulso através das suas 102 molas. Tal como o mini-trampolim o ginasta faz uma corrida preparatória seguida por uma chamada para uma zona inclinada a que se dá o nome de mount, nesta zona pode efetuar uma “vela” ou iniciar acrobacias “mortais” com ou sem “piruetas”, transita de seguida para uma zona paralela ao solo a que se dá o nome de “spoter” executando também aí movimentos idênticos ao anterior excetuando-se a “vela”, segue-se a zona de “dismout”. A série termina com a receção num colchão. 

A dificuldade, grosso modo, é encontrada pelo número de mortais e piruetas. Uma competição a nível nacional é constituída por duas séries. 

O trampolim individual ou sincronizado (neste existem dois trampolins), a rainha dos trampolins, é constituído por uma estrutura rígida elevada à qual se liga uma rede de fitas de nylon com seis milímetros de espessura. 

Medidas: 
Comprimento:5,050 metros
Largura:2,910 metros
Altura da Rede:1,155 metros 

Medidas da rede: 
Comprimento:4,28 metros
Largura:2,14 metros 

Zona de Salto: 
Comprimento:2,15 metros
Largura:1,08 metros
Cruz central 70x70cm 

Uma série de trampolim é constituída por dez saltos verticais simples (carpas ou engrupados), saltos com rotações no eixo longitudinal ou transversal simples ou múltiplos em associação ou não. A dificuldade é dada pelo número de “mortais ou piruetas”. Uma competição é constituída, grosso modo, por duas séries. Na competição de trampolim sincronizado, dois ginastas executam as suas séries em simultâneo. A dificuldade é dada pela nota de sincronismo e pela dificuldade 

No tumbling as séries desenvolvem-se sobre uma pista de 25 metros de comprimento, com uma largura compreendida entre os 185 e 200 cm, terminando numa área de receção com medidas compreendidas entre 300 x 600 x 30 cm. Dentro da área de receção existe uma zona ótima com 200 x 300 cm. 

Antes da pista de tumbling encontra-se uma zona de corrida com um comprimento máximo de onze metros, devendo a altura ser igual à da pista de tumbling. A pista é constituída por secções de fibra de vidro, cobertas por um rolo que permite ao ginasta correr e saltar por cima desta pista. 

Foto EDV
É uma modalidade onde importa começar cedo a praticar? 
Normalmente os ginastas desde muito cedo começam a praticar ginástica devido às condicionantes impostas por esta modalidade, desenvolvimento da força e flexibilidade específicas e porque a formação de um ginasta de competição leva muitos anos a ser conseguida. No entanto, a ginástica é uma atividade que pode ser iniciada em qualquer grupo etário dependendo dos objetivos traçados.

Quais são as exigências para um atleta de ginástica? 
A ginástica de competição é muito exigente, fazendo recurso de componentes físicas, psíquicas, culturais e sociais. A componente família/escola é determinante. O ginasta aprende desde muito cedo a orientar e a organizar a sua vida escolar e de tempos livres para poder estar disponível para os treinos que podem ser de várias horas por dia. Por vezes os treinos são dolorosos mas o prazer que o jovem ginasta sente na superação das dificuldades compensam em larga medida.

Como está organizada a ginástica em Portugal, em Viana?
Em Portugal a ginástica é enquadrada pela Federação de Ginástica de Portugal, no distrito de Viana do Castelo (falo de ginastas federados) só a Escola Desportiva de Viana possui grupos de ginastas de competição, repartidos por vários escalões (infantis, iniciados, juvenis, juniores e seniores). A EDV apenas compete na modalidade de trampolins (mini-trampolim, duplo-mini-trampolim, trampolim individual e sincronizado) 

Quantos praticantes tem neste momento a EDV?
Naquilo que diz respeito às camadas jovens temos cerca de 70 alunos

Como fazem a captação de atletas?
Normalmente são os pais que trazem os alunos para a ginástica. Chegam ao conhecimento da existência desta modalidade através de um amigo, um familiar, um colega de escola, por ser filho de antigo ginasta (temos muitos), porque leram artigos nos jornais da cidade, via internet (site da escola), ou porque viram algumas das nossas exibições

Quais são os objetivos para esta época?
Os objetivos são vários: alargamento da prática a um maior número de praticantes, mas para isso temos que possuir espaços próprios e mais material gímnico (alunos existem assim como treinadores qualificados e uma equipa dirigente altamente motivada). Em termos desportivos possuímos 26 alunos em competição repartidos pelos escalões já atrás mencionado. No entanto existe um grupo de ginastas com níveis elevados de prestação que podem atingir a faixa “elite”. 

Quais são os principais títulos conquistados pela EDV?
A EDV possui centenas de títulos nacionais (para cima de 4.000) de entre campeonatos distritais, regionais (quando existiam) e nacionais repartidos pelas disciplinas de mini-trampolim, duplo-mini-trampolim e trampolim individual e sincronizado. 
Foto EDV

José Domingos Ribeiro

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

José João Terleira: “Desporto de brutos jogado por cavalheiros”

Râguebi em Viana (foto: RAV)
Código de Conduto, Cartão Pedagógico e Grito de Guerra. O râguebi ultrapassa as barreiras do desporto e define-se como um estilo de vida. Em conversa com o presidente do RAV - Râguebi de Viana, José João Terleira, o Desporto em Viana procurou conhecer um pouco melhor um "desporto de brutos jogado por cavalheiros". 

O que distingue o râguebi dos demais desportos? 
O râguebi é um desporto em que o respeito pelo adversário, colegas e árbitros é a sua essência. Apesar de ser visto como um desporto de contacto é acima de tudo um desporto de evasão, o contacto é uma mera consequência. 

Como funciona uma partida de râguebi? 
O râguebi é divido em três partes, a 1ª e a 2ª são do jogo em si. A 3ª parte engloba o convívio entre as duas e equipas, árbitros, dirigentes, em que o assunto é o râguebi e, principalmente, o jogo que acabou de ser efetuado 

Quais são as exigências para um atleta de râguebi? 
O râguebi é uma modalidade muito abrangente, pois agrega todo o tipo de morfologia e todo o tipo de qualidades, desde o mais gordinho ou mais alto, mais pequeno e mexido, ao mais rápido. 

Momento de treino (foto: RAV)
Como é um treino? 
O treino deve sempre abranger várias vertentes, física, técnica individual similar a todas as posições, técnica individual específica para cada posição e movimentação coletiva. 

Como está organizada a competição nas camadas jovens? 
A competição, nas camadas jovens, está divida por escalões etários, sub 8, sub 10, sub 12, sub 14, sub 16 e sub18. Até aos sub 14 disputam-se por zonas e em torneios concentrados. Nos sub 8, sub 10 e sub 12 não existem classificações e cada equipa realiza um determinado número de jogos, nunca ultrapassando o tempo de jogo máximo permitido num dia pela IRB. Os sub 14 também estão divididos por zonas. Jogam râguebi de sete e existe competição onde é estabelecida uma classificação por torneio. O vencedor encontra-se pela soma dos torneios. 

Quantos praticantes e escalões tem nesta época o RAV - Râguebi de Viana?
Tem os escalões de formação Sub 8 (Bambis), Sub 10 (Benjamins), Sub 12 (Infantis), Sub 14 e Sub 16, num total de 48 atletas federados na FPR, 5 treinadores certificados pela FPR e um Director-técnico igualmente certificado. 

Como é feita a captação de atletas? 
A captação tem sido feita com a colagem de cerca de 500 cartazes pela cidade e arredores, pelos atletas e seus treinadores. A divulgação do início na imprensa regional, na página Facebook, no blogue do RAV e distribuição de flyers iguais aos cartazes, pelas escolas dos 3 agrupamentos da cidade. Publicitamos nos mesmos meios de divulgação, todos os jogos que fizemos, com fotos alusivas, a colocação no Youtube dos filmes desses jogos e a comemoração do Dia nacional do râguebi - Râguebi na rua, ação em que os nossos atletas, equipados a rigor, fazem passes e jogadas clássicas da modalidade pelas ruas da cidade, em movimento. 

Râguebi na Rua

Quais são os objetivos para esta época? 
Participar em todas as competições, jogos e torneios previstas, cumprir o Código de conduta e Grito de guerra do RAV - Râguebi deViana e seguir os preceitos da FPR. 

O objetivo passa por no futuro haver uma equipa sénior? 
Sim, quando estes atletas crescerem ou na eventualidade de se inscreverem atletas naquelas idades. Também uma equipa feminina. Ou jogar os campeonatos Seven's (porque são necessários só dez atletas por equipa) com raparigas e Sub 18 que cresçam no RAV- Râguebi de Viana. 

Como surgiu o Râguebi de Viana? 
“Surgiu” em 14 de junho de 2008, na ESE de Viana do Castelo, com 7 atletas, 3 dos quais vindos das Escolinhas de râguebi da Universidade do Minho, Braga. Tornou-se complicado ir aos treinos a Braga com estes 3 rapazes de Vilar de Mouros e Moledo, optando-se por criar escolinhas em Viana do Castelo. O RAV - Râguebi de Viana está federado na Federação Portuguesa Râguebi (FPR) e é associado da Associação Râguebi Norte (ARN). 

José João Terleira (foto: RAV)
Explique-nos o Código de Conduta que rege o Râguebi de Viana. 
O Código e Conduta e o Grito de Guerra do RAV são simples indicações para os contextos do jogo e o que leva a este. Foram criados para que todos os seus intervenientes se comportem da mesma forma. Para o jogo temos o Grito de guerra - Atitude, Compromisso, Lealdade. Temos ainda um objetivo (Regras) que é composto por adjetivos que servem uma sociedade positiva, pró-ativa, criativa, dinâmica, dentro dos limites. Para o que nos leva e nos traz das competições, 'usamos' o Código de conduta que consiste em regras e comportamentos sociais básicos mas importantes para se viver numa sociedade cívica e ordeira. Sair do jogo para a vida e vice-versa são as mensagens do Grito de Guerra e do Código de Conduta do RAV- Râguebi de Viana. 

Enquanto dinamizador do Râguebi de Viana, conte-nos a sua ligação à modalidade. 
Joguei râguebi mas sem protagonismo. Nem titular fui mas revi-me naquele desporto de brutos jogado por cavalheiros! 

Horários dos treinos 
Quartas e sextas feiras
18h30 às 20h00 
Local: Estádio Municipal Manuela Machado - Viana do Castelo

José Domingos Ribeiro

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

José Luciano: [Esgrima] um jogo de xadrez disputado à velocidade da luz

Alguns praticantes com os treinadores - Foto: EDV
A esgrima em Viana do Castelo teve o seu início pela mão do Mestre Luís Braga. Hoje, no concelho, apenas na Escola Desportiva de Viana (EDV) é possível praticar esta modalidade. Muitas vezes associada a um imaginário de reis e princesas, a esgrima é um desporto exigente física e mentalmente. Se no passado, saber manejar uma espada servia para salvar vidas, hoje em dia serve para conquistar medalhas e na EDV é o que mais sabem fazer. O Desporto em Viana conversou com o diretor da modalidade, André Afonso, e com um dos treinadores, José Luciano, para procurar conhecer a modalidade e divulgar este desporto secular.

Em que consiste a esgrima?
José Luciano (JL): A esgrima é um desporto de combate extremamente simples. Há dois oponentes e o objetivo é tocar sem ser tocado. Depois há três armas com regras específicas. Há a espada, que reflete o duelo puro e onde jogamos com aparelhagem elétrica. Na espada há uma luz que se acende quando existe um toque e, portanto, facilmente se percebe quem ganha o ponto. No florete e no sabre está-se a implementar esse procedimento. Há zonas específicas de contacto em função das armas. No florete é só o tronco (excluindo braços), na espada é o corpo todo e no sabre é só da cinta para cima. O equipamento básico é constituído pelo “gillet”, a calça, a luva e a máscara. Na esgrima não se consegue vencer se não se pensar. Já alguém em Portugal comparou a esgrima a um jogo de xadrez disputado à velocidade da luz pois são poucas as oportunidades de resolver os problemas que o adversário nos coloca e temos de os resolver em frações de segundo. Ou se consegue pensar muito ou não se consegue ganhar. É preciso controlar muitíssimo bem as oportunidades que surgem e executá-las no momento exato. Na esgrima é muito importante controlar a distância, a altura ideal para tocar o adversário, controlar o tempo de entrada e a velocidade. Estes fatores são fundamentais. É uma modalidade muito importante para o crescimento de uma criança porque ajuda a desenvolver a concentração. Para além disso, permite-lhes treinar o raciocínio rápido e agilizar a tomada de decisão.
André Afonso (AA): Há pais que já me disseram que rapidamente notam uma grande diferença nos filhos.

Qual é a diferença entre florete, espada e sabre?
JL: O florete começou por ser uma arma de treino, sendo mais leve do que a espada, uma arma de combate e duelo. O florete consiste mais num “bailado” executado a uma velocidade elevadíssima e que exige muita técnica. A espada é muito menos visível. Passa mais por esticar e, às vezes, não se percebe muito bem o que se faz. É mais simples para quem está a ver pois apenas um dos lados ou os dois lados são tocados. O sabre é parecido com o florete, mas tem uma nuance, porque tanto toca de ponta como de lado.

Quais são as exigências para um atleta de esgrima?
JL: Tem que ter uma boa preparação física. Nós temos um trabalho de pernas muito acentuado. Não trabalhamos muito a parte superior, mas as pernas precisam de muita musculação.
AA: É um esforço contínuo e explosivo. Depois há um período de recuperação.

Como está organizada a esgrima em Portugal?
JL: Há uma federação nacional que dinamiza o calendário competitivo. A partir desta época os clubes do norte, estamos a falar de Viana, Barcelos, Braga, Porto e Espinho, vão fazer um circuito regional para os mais novos (benjamins e infantis). No fundo, apesar de não haver uma associação, há um conjunto de clubes que vão fazer e gerir essa competição.

É o primeiro ano que isto vai acontecer?
AA: Sim, anteriormente os escalões competiam a nível nacional. Com as idas a Lisboa nós somos mais prejudicados com as despesas. Estamos a tentar que as provas de esgrima tenham um custo menor com provas no norte e no sul e um campeonato nacional.

Como está organizada a competição?
JL: A esgrima tem três armas e mediante a arma depois há escalões e divisão de géneros, masculino e feminino. Aqui em Viana só fazemos florete. As provas têm uma primeira fase onde os atletas integram um quadro. Depois é por eliminação direta. Há competição individual e por equipas. A classificação das equipas depende da prestação individual.

Quantos praticantes tem atualmente a EDV?
JL: No total temos 15 atletas. Este ano entraram três e estamos à espera de mais.

Como fazem a captação de atletas?
AA: A captação é feita através da divulgação de flyers, com apresentações, demonstrações. No ano passado houve uma ação num colégio, em que durante oito meses houve práticas de esgrima. Tem sido muito complicado trazer novos atletas. Não sei se os pais têm medo, mas há uma barreira que não conseguimos passar. Relativamente ao material, até aos infantis nós fornecemos, mas quem quiser pode comprar. Quando alguém entra em competição já deve ter o seu próprio material para o conhecer bem e não correr riscos. É muito importante estar bem adaptado ao florete. Infelizmente, muitas pessoas nem sabem que há esgrima em Viana!

Quais são os objetivos para esta época?
JL: Os objetivos variam nos três escalões etários. Os seniores estão a disputar o circuito mundial e estão a tentar o apuramento olímpico, através de Gael Santos. Por sua vez, os Juniores vão disputar o circuito mundial de juniores. Os mais novos vão integrar o circuito nacional, onde pretendemos fazer um circuito regional numa primeira fase e depois transferi-los para o circuito nacional.

Quais são os principais títulos conquistados pela EDV?
JL: Tivemos um atleta, o João Gomes, que participou três vezes nos Jogos Olímpicos. Também foi campeão da Europa por equipas, medalhado na Taça do Mundo. Atualmente está em Lisboa e é treinador. Atualmente temos o Gael Santos, que esteve no Top 20 Mundial em Juniores. Fez duas finais em taças do mundo e está a fazer preparação para jogar no campeonato do mundo, em outubro.

Qual é o segredo deste sucesso?
JL: Muito trabalho.

Quando começou a esgrima em Viana do Castelo?
JL: A esgrima começou por estar ligada ao Vianense e à Mocidade e depois parou. Em 1976 recomeçou, através dos Planos de Desenvolvimento da Direção Geral dos Desportos. Primeiro foi um núcleo e entretanto passou para a Juviana, um clube mais dedicado ao Judo, mas que também tinha esgrima. Nos finais de 80 passou para a EDV.

José Luciano, treinador (EDV)
Qual foi o vosso percurso na esgrima?
JL: Eu comecei em 1976 no clube da DGD, treinado pelo mestre Luís Braga. Cheguei a treinar, com os meus colegas, seis meses seguidos com a promessa de que ir fazer uma prova a Lisboa, que acabei por ganhar. Fui campeão nacional por equipas e participei em vários campeonatos do mundo. Passados uns anos começa-se a sentir as pernas um pouco pesadas e tive que encostar as sapatilhas. O percurso da Eugénia Queirós (treinadora na EDV) é igual ao meu, mas mais recheado de títulos. Ela foi campeã nacional diversas vezes.
AA: Eu tive uma pequena experiência quando era miúdo. Agora estou cá por causa das minhas filhas.

vídeo em produção

Horários dos treinos
Local Sala de Armas Pavilhão Municipal Monserrate

José Domingos Ribeiro