Mostrar mensagens com a etiqueta Bruno de Oliveira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bruno de Oliveira. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de março de 2011

Opinião: Tudo é possível quando se quer

No final da época passada, a Secção de Basquetebol Feminino da EDV foi ao mercado. Não contratamos nenhuma estrela de classe mundial, nem propusemos a ninguém um contrato de milhões. Limitamo-nos a convidar três atletas de Ponte da Barca que, por não terem equipa onde jogar, iriam ser obrigadas a deixar de fazer uma das coisas que mais gostam: praticar basquetebol.

Mais do que reforçar a nossa equipa, estas pequenas forças da natureza trouxeram consigo uma mentalidade e uma força de vontade diferente daquela que costumamos encontrar nos jovens dos nossos dias. Todos os meses, três vezes por semana (às vezes quatro), as nossas barquenses fazem cerca de 80 km para treinar. Além disso, duas destas atletas realizam dois jogos por semana já que a sua qualidade há muito se tornou indispensável tanto na equipa de cadetes (sub-16) como na de júniores (sub-19).

Nem sempre é fácil conciliar a vida desportiva com a vida pessoal. Nestas idades há muitas tarefas para cumprir, muitas coisas novas para experimentar e a instabilidade emocional é uma constante. Se manter uma equipa de jovens motivada e empenhada durante toda a época não é fácil, cativar atletas que têm de percorrer longas distâncias para treinar é ainda mais complicado. A verdade é que as nossas "estrangeiras" dificilmente falham um treino, nunca estão indisponíveis para jogar e a sua prestação desportiva ao longo da época tem sido simplesmente brilhante. Para isso muito tem contribuído a compreensão e a manifesta boa vontade dos seus encarregados de educação que estão sempre prontos para fazer mais uma viagem, numa rotina que, bem sei, nem sempre deve ser fácil de gerir.

Por isso mesmo, estando consciente dos sacrifícios logísticos que esta mudança de clube trouxe para estas três meninas e para os seus pais, não poderia deixar de reconhecer publicamente todo o seu mérito, empenho, simpatia e dinâmica de trabalho que devem ser vistos como exemplos a seguir não só neste clube, mas em todas as organizações desportivas (e não desportivas) que existem no nosso país. Para a Magda, a Mariana e a Sofia não tenho dúvidas de que o destino lhes reserva um futuro brilhante.

Bruno de Oliveira
- treinador  de basquetebol - 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Opinião: Ser treinador

A generalidade das pessoas tende a pensar que ser treinador é uma tarefa que está ao alcance de qualquer um. Na verdade, elas não estão assim tão enganadas. Treinar uma equipa de basquetebol, futebol, voleibol ou de hóquei em patins não é assim tão complicado. A grande dificuldade está em desempenhar essa função de forma eficaz. Os problemas começam a surgir precisamente neste ponto. Afinal de contas, quando falamos em eficácia, estamos realmente a falar do quê?!


Para alguns, ser eficaz é ganhar a qualquer custo. Para outros, eficácia é jogar bem. Há ainda aqueles que consideram que a eficácia está na capacidade de educar e formar para o futuro sem dar grande importância à competição. Será que algum destes conceitos está correcto? A resposta mais óbvia é dizer que um bom treinador tem que procurar ser eficiente nos três conceitos. Claro que sim. Mas sejamos sinceros, já alguém viu uma equipa a ganhar, a jogar bonito e sem atletas com tiques de vedeta? A realidade é que ninguém consegue cumprir os três objectivos de forma absoluta, até porque eles são de certo modo incompatíveis.


Sendo assim, tendo em conta este trade-off, não resta outra solução a um treinador que não seja seguir uma filosofia. Não há filosofias certas nem erradas. Cada um tem a sua, e deve gerir as respectivas equipas em função daquilo em que acredita. Se assim o fizer, estará certamente empenhado na sua função e motivado para transmitir os seus conhecimentos. No entanto, estou convicto que dentro de cada estilo de liderança há filosofias mais adequadas do que outras. Formação é uma coisa, competição de alto-nível é outra totalmente diferente. Daí que no meu entender, um bom treinador de formação dificilmente será um líder de excelência a nível da alta competição e vice-versa. Precisamente porque existe uma grande diferença de mentalidade que não pode ser alterada com um simples clique. Não é possível ser extremamente competitivo e olhar apenas para os resultados hoje, e amanhã ser rigoroso na pedagogia e olhar exclusivamente para as componentes formativas. Os treinadores não mudam a sua filosofia conforme o cargo que ocupam, podem ajustá-la, mas a sua verdadeira forma de entender o desporto acabará sempre por vir ao de cima.


Gerir um grupo de jovens não é fácil. Eles não têm contas para pagar nem objectivos contratuais a cumprir, mas têm borbulhas na cara, hormonas a fervilhar e sonhos para concretizar. A amizade, o carinho, o afecto são a chave para o sucesso de um bom líder. Aqueles que pensam que é possível separar a componente desportiva da componente humana estão redondamente enganados. O desporto é uma actividade social. Não é possível separar o João que tirou negativa a matemática do João que joga basquetebol. Não é possível separar a Joana que teve um arrufo com o namorado, da Joana que lança ao cesto... Por isso é que o envolvimento na vida dos atletas é tão importante. Muitas vezes, a resposta para um rendimento menos positivo está mesmo debaixo do nosso nariz e pode ser resolvido com uma conversa, ou, quem sabe, com um pequeno conselho.


Seja qual for a filosofia adoptada, seja qual for o estilo de liderança escolhido, o essencial da questão parece-me estar bem resumido numa célebre expressão de Albert Einstein:


"Lembra-te sempre que o caminho que trilhares para o sucesso é mais importante que qualquer outra coisa".


Bruno de Oliveira


- treinador de basquetebol -


originalmente publicado aqui

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Opinião: É útil praticar desporto?

O envolvimento dos jovens com uma modalidade é generalizadamente mais emotiva do que aquilo que as pessoas pensam. Praticar desporto e pertencer a uma equipa, é um sentimento único que deve ser valorizado e preservado. Além dos inúmeros benefícios para a saúde, praticar uma modalidade colectiva desenvolve uma série de competências nos jovens. Atributos como o trabalho em equipa e a capacidade de decidir sobre pressão são factores que, inevitavelmente, serão requeridos no seu futuro pessoal e profissional. Numa sociedade cada vez mais individualizada e materialista, os jovens acabam muitas vezes por ver nas colectividades desportivas uma forma de descomprimir e deixar para trás toda aquela pressão que hoje em dia é colocada nos seus ombros. O sucesso do desporto prende-se com as emoções e as paixões que desperta. Muitos fazem-no enquanto ganham milhões, mas a maior parte não precisa de motivações tão fortes, a paixão pelo jogo e o prazer que se retira da sua prática chega perfeitamente.


Já há alguns anos, recebi um e-mail com uma série de perguntas retóricas que descrevia na perfeição o que é o basquetebol. Não sei o nome do seu autor, até porque se trata de uma daquelas correntes que se propagou à velocidade da luz por todo o mundo, mas achei-a tão interessante que não resisti a partilhá-la com os amigos leitores.


O QUE É O BASQUETEBOL?!

Como explicar-te o que é amor se nunca vestiste a camisola da tua equipa?

Como explicar-te o que é prazer se nunca ganhaste um "clássico"?

Como explicar-te o que é a dor se nunca perdeste um jogo no último segundo?

Como explicar-te o que é carinho se nunca sentiste a bola com a ponta dos dedos?

Como explicar-te o que é solidariedade se nunca deste uma ajuda numa defesa individual?

Como explicar-te o que é poesia se nunca deixaste os teus adversários desorientados com um "crossover"?

Como explicar-te o que é amizade se nunca fizeste uma assistência?

Como explicar-te o que é pânico se nunca perdeste um jogo depois de estar a ganhar por 20 pontos?

Como explicar-te o que é morrer um bocado se nunca perdeste uma final?

Como explicar-te o que é esforço se nunca deste o máximo para recuperar uma bola?

Como explicar-te o que é egoísmo se nunca lançaste quando devias ter passado a um colega melhor posicionado?

Como explicar-te o que é arte se nunca inventaste uma assistência espectacular?

Como explicar-te o que é música se nunca cantaste para incentivar os teus companheiros?

Como explicar-te o que é o ódio se nunca perdeste a bola que resolveu o jogo?

Como explicar-te o que é a vida se nunca jogaste basquetebol?!

Bruno de Oliveira


treinador de basquetebol


originalmente publicado aqui